Sinpro-Rio lança Campanha pela Valorização do Magistério

O Sinpro-Rio lançou na última sexta-feira, 25 de abril, a Campanha pela Valorização do Magistério: Educação tem Nome, CPF e Impressão Digital. Realizado no Espaço Cultural Paulo Freire, o evento contou com a apresentação da diretora Maria Marta Cerqueira e mesa composta pelo presidente Elson Paiva, pelo diretor Afonso Celso Teixeira, e pelos palestrantes: Lindomar Araújo, doutor e mestre em Teatro, especializado em Técnica Educacional e Psicomotricidade; e Regis Arguelles, professor adjunto de Ciência Política e Educação, e Política da Educação no Brasil, da Universidade Federal Fluminense.

Elson Paiva destacou, na fala inicial, que a Campanha do Sinpro-Rio visa dialogar com a sociedade sobre a importância da valorização da Educação, ressaltando que os profissionais educadores têm sido muito desvalorizados, principalmente nos últimos tempos. O dirigente deu como exemplo mais gritante a exploração das professoras de Educação Infantil, que são sobrecarregadas, assediadas e recebem mal pelo seu trabalho, o que leva muitas delas ao adoecimento mental. Este quadro tem se estendido para toda a categoria.

Elson Paiva comunicou que no dia 18 de maio, em Copacabana, a Campanha será levada às ruas, sendo que, posteriormente, será apresentada em outras regiões. “Vamos levar esta campanha para as ruas, mostrando à sociedade que a Educação tem valor”.

Reforçando o slogan da Campanha “Educação tem Nome, CPF e Impressão Digital”, Elson destacou: “Temos identificação, não somos máquinas”.

O presidente do Sinpro-Rio ressaltou ainda que “sem sindicato não há luta e só existe luta porque existe diferença de classe, mas é só através da Educação que esta desigualdade pode diminuir. Defendemos a Educação pública, laica e referenciada. E é isso que vai fazer com que nossa sociedade evolua, se construa cada vez mais, levando com que as pessoas votem corretamente, o que a direita fascista tanto teme: eleitores conscientes”.

Em seguida, falou o professor Lindomar Araujo, que abordou questões relativas à Arte-educação. O palestrante traçou um histórico sobre a disciplina Arte na Educação, com tópicos desde 1949, deixando claro que mesmo tendo uma longa trajetória, a disciplina, ainda hoje, é desrespeitada, não tendo uma periodicidade consolidada, nem uma estrutura configurada.

Lindomar Araujo encerrou sua palestra abordando Paulo Freire, no que este pontificou na obra Pedagogia da Autonomia: “o desrespeito à educação, aos educandos, aos educadores e às educadoras corrói ou deteriora em nós, de um lado, a sensibilidade ou a abertura ao bem-querer da própria prática educativa, de outro, a alegria necessária ao que fazer docente”.

Diretor do Sinpro-Rio, Afonso Celso Teixeira, que recentemente, dirigiu o filme sobre a saúde mental do professor – “Quem Cuida de Mim”-, reforçou a importância da disciplina Arte nas escolas, lembrando que a humanização do tema já levou professor da área a descobrir e impedir que uma aluna se suicidasse.
Já o professor Regis Arguelles acentuou que o consenso neoliberal foca na cultura da performance, formando alunos para o mercado competitivo, forçando o professor para este contexto.
O professor abordou uma pesquisa, que está em andamento, sobre as relações entre trabalho e saúde mental do professor e da professora no Rio de Janeiro.

Regis Arguelles destacou alguns dados preliminares preocupantes como o envelhecimento da categoria – 65% com mais de 40 anos – e sua submissão a uma condição de trabalho cada vez mais precária. Esta situação, de acordo com Arguelles, tem levado ao adoecimento dos docentes.

Foi levantado ainda, na pesquisa, que a maioria dos professores e professoras trabalha 40 horas semanais, tendo uma parcela que passa de 50 horas. Tudo isso com baixa remuneração. Não é à toa, que 65% dos entrevistados se sente adoecido.

Paradoxo: mais de 70% têm algum tipo de especialização, além da graduação. “É uma categoria qualificada, mas desvalorizada”, constata Arguelles. Conclusão: mais de 50% têm certeza ou estão pensando em desistir da carreira de professor.

É uma categoria envelhecida, que “ralou” para conciliar trabalho e estudos, e que não é valorizada pelo esforço empreendido, ressaltou o professor.

Confira algumas fotos abaixo!
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Este post foi publicado em 30/04/2025 às 15:08 dentro da(s) categoria(s): Notícias.
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