Realizado entre 21 e 24 de outubro, evento ocupou diferentes espaços da cidade e promoveu debates sobre saúde coletiva, inclusão, políticas públicas e educação
O cinema como instrumento de formação, reflexão e participação social foi o foco da 9ª edição do Festival Cine Educação, realizada entre os dias 21 e 24 de outubro, no Rio de Janeiro. Com o tema “Saúde para Todos”, o evento reuniu produções audiovisuais que abordam questões relacionadas à saúde física e mental, à prevenção, ao cuidado, à inclusão e ao acesso a direitos.
A programação passou pelo Centro Cultural do Ministério da Saúde, pelo Estácio, pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em Realengo, e por espaços ligados ao Sinpro-Rio: a Praça dos Professores e Professoras, na Cinelândia, e a subsede de Campo Grande. A circulação por diferentes territórios aproximou o audiovisual de comunidades, estudantes, profissionais da educação e da saúde, ampliando as possibilidades de acesso à produção cultural e ao debate público.
Ao longo dos quatro dias, os filmes trouxeram temas que atravessam a vida da população e evidenciam a relação entre saúde, condições sociais e políticas públicas. Entre as questões abordadas estiveram a medicalização da vida, os impactos da pandemia, o racismo ambiental, a vigilância em saúde e a inclusão de pessoas com deficiência.
Cinema para ampliar vozes e garantir direitos
Na sexta-feira, 23 de outubro, a sessão realizada no Espaço Cultural Paulo Freire, na sede do Sinpro-Rio, reuniu produções que também provocaram reflexões sobre inclusão e educação. Entre elas, o curta-metragem A Deficiente Invisível, dirigido por Eury Lima, que trouxe ao debate as barreiras enfrentadas por pessoas surdas oralizadas.
Durante a conversa com o público, Eury explicou que a realização do filme foi possível graças a um edital inclusivo lançado em 2023. Entre os dez projetos selecionados nacionalmente, ela era a única pessoa com deficiência. A oportunidade permitiu contar uma experiência ainda pouco reconhecida, inclusive dentro da própria comunidade surda.
“Então, não entender também é ser surdo”, afirmou a realizadora ao explicar que pessoas surdas oralizadas podem ouvir determinados sons, mas nem sempre conseguem compreender o que é dito, especialmente quando não conseguem visualizar quem está falando.
Eury também destacou a importância das legendas nas produções audiovisuais. Embora fundamentais para ampliar o acesso de pessoas surdas, elas ainda não estão presentes de forma consistente em todos os filmes. Para a diretora, a acessibilidade precisa integrar as produções nacionais, garantindo que mais pessoas possam acompanhar as histórias contadas pelo cinema.
A discussão dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelas escolas, onde a inclusão exige condições concretas para que estudantes com diferentes necessidades possam aprender e participar. A acessibilidade, nesse contexto, passa pelo reconhecimento das diferenças e pela eliminação das barreiras que dificultam o acesso à informação e à educação.
Audiovisual como ferramenta de transformação social
A sessão também destacou produções desenvolvidas a partir das oficinas do Cine Educação, que estimulam a participação de estudantes e trabalhadores na criação de narrativas sobre questões presentes em seus territórios.
Uma das integrantes do projeto explicou que o trabalho se estende ao longo do ano, com atividades em diferentes regiões da cidade. A proposta é democratizar o acesso ao audiovisual e compartilhar conhecimentos sobre roteiro, gravação e edição.
Entre as iniciativas realizadas em 2026 estão oficinas com agentes comunitários de saúde e com estudantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), no IFRJ, em Realengo. A partir dessas atividades, os participantes produziram curtas sobre temas como racismo ambiental, vigilância em saúde e prevenção de doenças.
Um dos filmes exibidos foi desenvolvido por alunas do PET-Saúde e Clima após uma oficina de uma semana. A produção abordou a contaminação da água e seus impactos sociais e ambientais, mostrando como o audiovisual pode contribuir para dar visibilidade a problemas que afetam diretamente as comunidades.
Ao comentar a experiência, a integrante do projeto ressaltou a importância de oferecer ferramentas para que os próprios participantes contem suas histórias e disputam espaço na construção das narrativas sobre a realidade.
Educação, memória e direito à formação
Outro destaque da sessão foi Quem Cuida de Mim, dirigido por Afonso Teixeira e Cristiano Requião, em 2025. Ao comentar a produção, um dos realizadores recordou o encontro com Afonso em uma edição anterior do festival e a parceria que se desenvolveu a partir dali.
A ideia inicial era produzir um filme sobre a repressão durante a ditadura e a experiência de professores naquele período. Embora o projeto original não tenha sido realizado naquele momento, a colaboração resultou em Quem Cuida de Mim e continuou em novos trabalhos audiovisuais.
A presença dessas obras na programação reforçou a diversidade de questões que o cinema pode mobilizar, aproximando saúde, educação, memória, inclusão e direitos sociais. Ao abrir espaço para diferentes experiências e perspectivas, o Festival Cine Educação contribui para o debate sobre os desafios enfrentados pela sociedade e para a valorização do audiovisual como instrumento de expressão e formação.
A participação do Sinpro-Rio na programação reafirma a importância de ocupar os espaços culturais da cidade com iniciativas que estimulem o pensamento crítico e o acesso à cultura. Para professoras e professores, atividades como essa também oferecem oportunidades de diálogo sobre temas que atravessam o cotidiano escolar e a construção de uma educação comprometida com a inclusão e os direitos de todos.
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Este post foi publicado em
27/10/2026 às
14:18
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