Mobilização nesta sexta-feira (21) reuniu professoras e professores para denunciar a falta de avanços nas negociações e defender reajuste, hora-atividade e valorização profissional
Professoras e professores da rede particular de ensino ocuparam a entrada do Centro de Convenções do Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca, nesta sexta-feira (21), em mais um ato da Campanha Salarial 2026 do Sinpro-Rio. A mobilização ocorreu em frente ao local onde era realizado um congresso sobre educação patrocinado pelo Sinepe-Rio, sindicato patronal, e levou para a rua as reivindicações de quem vive diariamente a realidade das escolas particulares.
Enquanto o congresso reunia representantes do setor para discutir educação, professoras e professores denunciaram que questões fundamentais para quem faz a educação acontecer seguem sem espaço nas negociações: salário, jornada, trabalho extraclasse, condições de trabalho e saúde.
A categoria tem data-base em abril, mas, perto do fim de agosto, as negociações seguem sem acordo. Entre os principais pontos de impasse está o reajuste salarial. Enquanto as mensalidades escolares subiram cerca de 10% no início do ano, a proposta patronal é de 3,77%.
Para o Sinpro-Rio, a diferença evidencia a necessidade de valorização dos profissionais da educação. Durante o ato, professores também criticaram a distância entre o discurso de valorização da educação e as condições reais de trabalho na rede privada.
Trabalho docente vai além da sala de aula
A principal reivindicação da mobilização foi o pagamento da atividade extraclasse. A categoria defende o reconhecimento do tempo dedicado ao planejamento, correção de provas, produção de materiais e reuniões pedagógicas.
Durante o ato, o diretor Afonso Celso Teixeira destacou que a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) prevê um terço da jornada para atividades de planejamento, direito que, segundo o sindicato, não é respeitado na rede privada.
“Na escola privada, o professor só recebe para entrar em sala de aula. Aquilo que ele faz fora da sala de aula não é remunerado.”
O Sinpro-Rio propõe a implementação desse direito na Convenção Coletiva, mas afirma que o sindicato patronal resiste à inclusão de qualquer percentual para o trabalho extraclasse.
A sobrecarga também aparece diretamente relacionada à saúde dos docentes. Cobranças excessivas, prazos, acúmulo de tarefas e a pressão cotidiana das escolas fazem parte dos relatos levados pela categoria ao sindicato. Há ainda relatos de situações de assédio moral e de professores que recorrem a medicamentos de tarja preta diante do sofrimento provocado pelas condições de trabalho.
Por isso, o combate ao adoecimento mental dos docentes também integra a pauta do Sinpro-Rio. Para o sindicato, discutir valorização profissional exige enfrentar as condições que têm levado professoras e professores ao limite e garantir ambientes de trabalho mais saudáveis e respeitosos.
Reajuste e valorização profissional
A mobilização também cobrou reajuste salarial que recomponha perdas da categoria. A proposta patronal de 3,77% é considerada insuficiente diante do aumento das mensalidades e do custo de vida.
Outro ponto levantado foi a existência de pisos salariais diferentes para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental I, mesmo com exigências de formação semelhantes às demais etapas.
A crítica ganha força diante do perfil da categoria, formada majoritariamente por mulheres.
“A professora da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I ainda ganha menos a hora-aula”, afirmou a diretora Maria Alice Andrade.
Além do reajuste e da equiparação salarial, a pauta da categoria inclui 3% de hora-atividade e 20 dias de licença-paternidade. As reivindicações fazem parte da defesa de melhores condições para o exercício da profissão e de valorização do trabalho docente.
Mediação judicial na terça-feira (25)
A mobilização ocorreu às vésperas de uma mediação na Justiça do Trabalho, marcada para terça-feira (25), entre Sinpro-Rio e sindicato patronal. O encontro deve tratar, entre outros pontos, da hora-atividade.
Segundo o diretor Elson Paiva, a mediação foi necessária diante da falta de avanços nas negociações.
“O sindicato patronal está desde março intransigente na negociação. Nós queremos discutir a hora-atividade e o trabalho além da sala de aula.”
Elson também informou que, no sábado, 29, o Sinpro-Rio realizará uma nova assembleia para avaliar os rumos da campanha.
A mobilização na Barra da Tijuca reforçou que professoras e professores querem participar das discussões sobre os rumos da educação e que suas condições de trabalho e saúde precisam estar no centro das negociações.
Para acompanhar as próximas etapas e os desdobramentos da campanha, siga as redes sociais do Sinpro-Rio e fique por dentro das atualizações.
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Este post foi publicado em
21/08/2026 às
17:28
dentro da(s) categoria(s): Campanha Salarial 2026, Notícias, Primeira página, Publicações.
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