21 de junho – Por uma educação não sexista e não discriminatória!

Por Duda Quiroga – Executiva Nacional da CUT, direção do Sinpro-Rio, Sepe e CNTE

“A educação deve ser um ato político de questionamento das opressões e de construção de autonomia, sobretudo para as mulheres e para os sujeitos historicamente silenciados.” – Bell Hooks

Por que precisamos de um dia de luta por uma educação não sexista e não discriminatória?

Ser mulher, professora, feminista e sindicalista na atual conjuntura, em qualquer país, inclusive no Brasil é carregar nas costas e no coração o peso e a potência de muitas lutas. Não é possível entrar em uma sala de aula, em qualquer escola desse país, sem perceber como as estruturas de opressão atravessam nossos espaços educativos: seja na reprodução do machismo, do racismo, da lgbtfobia, do capacitismo ou na naturalização das desigualdades sociais.

A escola nunca foi neutra. Ela reflete, sim, as contradições da sociedade em que está inserida. Numa sociedade capitalista, patriarcal, racista, capacitista e colonial, a escola pode tanto ser um instrumento de reprodução dessas violências quanto um espaço de resistência e transformação. E é justamente por entender esse papel da educação que defendemos com força a existência de um dia de luta por uma educação não sexista e não discriminatória.

E esse dia não é uma invenção recente. Foi construído na luta, especialmente a partir da década de 1980, por mulheres educadoras, sindicalistas e feministas da América Latina e do Caribe, que entenderam que não há justiça social possível sem enfrentar o sexismo e todas as formas de opressão dentro da escola. Assim, foi instituído o 21 de junho como o Dia de Luta por uma Educação Não Sexista e Não Discriminatória.

A escolha da data, que marca o início do inverno no hemisfério sul, simboliza a resistência contra as sombras da ignorância, do preconceito e da discriminação. Um chamado à luz da transformação, da conscientização e da ruptura com o sexismo, a misoginia, o racismo e a lgbtfobia que atravessam nossas práticas escolares e sociais.

Essa não é uma pauta menor, nem uma “pauta identitária”, como tentam nos fazer crer alguns setores da esquerda conservadora ou da extrema-direita. É uma pauta estrutural. Porque o capitalismo, para seguir existindo, precisa se apoiar nas opressões de gênero, raça e classe.

O patriarcado e o racismo são pilares fundamentais da exploração capitalista. Portanto, a luta feminista, antirracista, anticapacitista e socialista precisa atravessar a escola.

Falar em uma educação não sexista é enfrentar o sexismo que se expressa desde os livros didáticos até a divisão sexual do trabalho dentro da própria escola, onde a maioria esmagadora dos profissionais da educação – sobretudo na educação infantil e nos anos iniciais – é de mulheres, mas as funções de gestão, direção e decisão são majoritariamente masculinas. Sem falar na questão das diferenças salariais entre o primeiro e o segundo segmento, tão debatida.

Defender uma educação não discriminatória é enfrentar os discursos conservadores que tentam transformar em tabu qualquer debate sobre gênero, sexualidade, racismo, capacitismo ou direitos humanos nas escolas. É resistir aos ataques da extrema-direita que cria falsos inimigos como a chamada “ideologia de gênero” e a “doutrinação marxista”, numa tentativa desesperada de manter a escola como lugar de reprodução da ordem vigente.

Por isso, a existência desse dia é mais que simbólica. É ato político. É afirmação de que a escola é território de disputa. De que nós, professoras, não aceitaremos que nossos corpos, nossas existências e nossas pautas sejam silenciadas. De que a construção de uma educação libertadora, que combata todas as formas de opressão, é parte da luta maior por uma sociedade socialista, anticapitalista, antipatriarcal, antirracista, anticapacitista e livre.

Enquanto houver desigualdade, machismo, racismo, lgbtfobia, capacitismo e exploração, haverá luta. E esse dia precisa ser um grito coletivo dentro das escolas, das ruas, dos sindicatos e dos movimentos. Porque uma outra educação e, portanto, um outro mundo, é não só possível, como urgente e necessário.

Duda Quiroga – Executiva Nacional da CUT, direção do sinproRio, Sepe e CNTE
Professora, psicopedagoga, mulher, feminista, poetisa, sindicalista, militante da luta por uma educação pública, popular, anticapitalista e antipatriarcal


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Este post foi publicado em 18/06/2025 às 11:25 dentro da(s) categoria(s): Notícias.
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