Sinpro-Rio homenageia professores/as numa noite em que a palavra luta se destacou

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03, dezembro 2018

Enquanto eu luto, sou movido pela esperança; e se eu lutar com esperança, posso esperar. 
(Paulo Freire)

O Sinpro-Rio homenageou,  no dia 29 de novembro, professoras e professores que sempre lutaram movidos pela esperança, na concepção de Paulo Freire.  Num emocionante evento, o Sindicato recepcionou educadoras e educadores para as homenagens a Lígia Paula da Silva Pereira, Ana Maria Branco Arantes, Chico Alencar e Francílio Paes Leme.  

A abertura do evento foi feita pela diretora Yara Maria Pereira, sendo que a apresentação ficou a cargo do diretor Hélio Maia. Na mesa, a professora Adalgiza Burity  e o presidente do Sindicato, Oswaldo Teles. 

O cordelista Edmilson Santini abrilhantou o evento com o cordel “De Machado a Gonzagão”, no qual o artista trouxe em rimas grandes nomes da cultura brasileira. 
No discurso de abertura, o presidente do Sinpro-Rio, Oswaldo Teles, enalteceu a importância do evento: “Hoje é um dia de festa, mas todos dias são de luta, de enfrentamento”. 

O dirigente ressaltou que vivemos um momento em que a Educação é massacrada profundamente, vítima de um grande desmonte promovido pelo governo atual e ameaças terríveis do próximo.

Oswaldo acentuou que o Sinpro-Rio tem um histórico de luta contra a ditadura e que continuará firme no processo de enfrentamento do que está sendo imposto e do que se avizinha, contra a retirada de direitos da categoria e o massacre à classe trabalhadora como um todo. 

Cada homenageado contou com apresentação de alguém de seu círculo de amizade. Aniversariante, a professora  Lígia Paula da Silva Pereira foi presenteada com as palavras  de Liliane Ferreira dos Santos, que destacou a vocação de guerreira da homenageada, oferecendo-lhe um poema de Cora Coralina: 
Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.


Emocionada, Lígia ressaltou que o momento é de muita luta e que “a seta do tempo aponta para a frente e que nós (professoras e professores) somos os vetores”. 
A professora Ana Maria Branco Arantes foi apresentada pela  diretora do Sinpro-Rio, Ana Lúcia Guimarães, que lhe ofereceu trecho do poema I Juca Pirama, de Gonçalves Dias:
“ (...) A vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

Ana Maria agradeceu, declarando que a maior homenagem a um trabalhador é a que é dedicada pelo seu sindicato. 

O sociólogo Léo Lince foi quem fez a apresentação do professor e deputado federal Chico Alencar. Em sua fala,
Léo Lince acentuou que Chico é antes de tudo um professor. Mesmo como parlamentar, sempre colocou a pedagogia em destaque. 
Chico Alencar, comovido com a homenagem do Sinpro-Rio, lembrou que já em 1972 recorria ao Sindicato e, lembrando seu xará Chico Buarque, acentuou:  “Tudo que fazemos na vida tem que ser pedagógico. Sem isso, não alcançamos o tempo da delicadeza”. 

O parlamentar falou da luta contra o famigerado projeto “escola sem partido”, o que chamou de escola com mordaça, escola sem vida. “A luta hoje não é só por dignidade salarial, mas também pela liberdade de ensinar”.

Ex-presidente do Sinpro-Rio, Francílio Paes Leme foi precedido em sua fala pelo filho, Angelo, que lembrou que quando criança, já frequentava o Sindicato e sempre conviveu com a luta política de seu pai. 

Angelo fez um paralelo da militância sindical de Francílio com as eleições presidenciais passadas, quando o hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro, se negou a debater propostas com o candidato adversário,transformando a campanha eleitoral em algo sem confronto de ideias. Mas, Angelo disse ter ficado feliz em ver um professor, Fernando Haddad, como candidato à presidente da República.

Sobre Francílio, Angelo disse que se pudesse resumir as suas atitude em uma palavra, a palavra seria luta. 

Francílio fez um relato de sua trajetória como estudante e depois professor, lembrando-se dos tempos difíceis no combate à ditadura e na restauração da democracia.
Foi um dos dirigentes do Sinpro-Rio no final da década de 70, sempre com a percepção de não lutar somente por salário mas também politicamente: “Sindicato é luta. Se não tem luta, não é sindicato, mas sim escritório”.  

Veja fotos do evento aqui!