{"id":26264,"date":"2014-12-17T00:00:00","date_gmt":"2014-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sinpro-rio.org.br\/principal\/quot-e-a-luta-pela-educac-o-continua-quot-entrevista-do-diretor-antonio-rodrigues-ao-jornal-folha-dirigida\/"},"modified":"2014-12-17T00:00:00","modified_gmt":"2014-12-17T00:00:00","slug":"quot-e-a-luta-pela-educac-o-continua-quot-entrevista-do-diretor-antonio-rodrigues-ao-jornal-folha-dirigida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinpro-rio.org.br\/principal\/quot-e-a-luta-pela-educac-o-continua-quot-entrevista-do-diretor-antonio-rodrigues-ao-jornal-folha-dirigida\/","title":{"rendered":"&#034;E a luta pela educa\u00e7\u00e3o continua&#034;- entrevista do diretor Antonio Rodrigues ao jornal Folha Dirigida"},"content":{"rendered":"\n<p>\n <em><br \/>\n  17\/12\/2014<br \/>\n <\/em>\n<\/p>\n<p>\n E a luta pela educa\u00e7\u00e3o continua<\/p>\n<p>\n  <i><br \/>\n   Aos 81 anos de idade, Antonio Rodrigues da Silva iniciou mais um mandato na gest\u00e3o do Sindicato dos Professores do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro<br \/>\n(Sinpro-Rio). No cargo de primeiro tesoureiro, ele pretende prosseguir com a sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica, iniciada em 1953, com seu ingresso no Partido Comunista<br \/>\nBrasileiro (PCB).<\/p>\n<p>\n    Em uma trajet\u00f3ria de mais de 50 anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, Antonio Rodrigues ilustra, em sua caminhada, a hist\u00f3ria recente da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Em seu<br \/>\ncurr\u00edculo est\u00e3o marcas expl\u00edcitas das pol\u00edticas educacionais dos anos chumbo do Regime Militar (1964\/1985); e tamb\u00e9m  das lutas pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do<br \/>\npa\u00eds e, mais recentemente, do avan\u00e7o do capital privado na educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>\n     \u201cO Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer. Era uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20<br \/>\nvezes \u2018O Encoura\u00e7ado Potemkin\u2019 (Sergei Eisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive<br \/>\nque abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um col\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ\u201d, revelou o sindicalista.<\/p>\n<p>\n      Desde o final da d\u00e9cada de 1970, o educador, que foi um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), milita de forma intensa<br \/>\nno movimento sindical. E, para os dias de hoje, uma de suas propostas \u00e9, justamente, resgatar no Sinpro-Rio espa\u00e7os para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do magist\u00e9rio.<br \/>\nAo revelar o percurso da vida de Antonio Rodrigues, a FOLHA DIRIGIDA presta uma homenagem a todos os educadores que, a exemplo do primeiro tesoureiro do<br \/>\nSinpro-Rio, dedicam sua vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n     <\/p>\n<\/p>\n<p>  <\/i><\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Folha Dirigida &#8211; Em que escola o senhor estudou? Como foi o seu processo de forma\u00e7\u00e3o?<br \/>\n    <br \/>\n    Antonio Rodrigues<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   &#8211; Sou uma pessoa de 81 anos. Minha juventude foi no per\u00edodo p\u00f3s-guerra. Sou filho de pai comunista e de m\u00e3e cat\u00f3lica. Sou de Campos<br \/>\ndos Goytacazes. Estudei na Escola T\u00e9cnica de Campos, o atual Cefet de Campos. Fiz Artes Gr\u00e1ficas. \u00c9ramos pequenos propriet\u00e1rios rurais. Meu pai trabalhava na<br \/>\norganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de cana-de-a\u00e7\u00facar. Ele era do Partido Comunista. E fomos expulsos da terra. Migramos, em 1947, para o Rio de Janeiro. Moramos na<br \/>\nFavela do Esqueleto, que ficava onde funciona o campus Maracan\u00e3 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Meu pai, na \u00e9poca, tinha cinco filhos e<br \/>\ndepois vieram mais dois. Foi um grande choque para todos. Completei meu ensino t\u00e9cnico no Senai, na Rua S\u00e3o Francisco Xavier, em Artes Gr\u00e1ficas. E a\u00ed fui<br \/>\ntrabalhar na Imprensa Nacional, em 1949, onde fui linotipista. O fato de trabalhar na Imprensa Nacional como gr\u00e1fico me aproximou da milit\u00e2ncia. Ingressei em<br \/>\n1953 no Partido Comunista, o \u201cpartid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Como e por que o senhor decidiu ser professor?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Na Imprensa Nacional, a vida era muito dura. Posteriormente, em 1957, fiz um concurso para o Instituto de Previd\u00eancia e Servidores do Estado (Ipase), que<br \/>\nfuncionava no Centro do Rio. Entre 1957 e 1960, fui escritur\u00e1rio do Ipase. E a\u00ed fui para a Faculdade Nacional de Filosofia (Fnfi), cujos cursos hoje integram<br \/>\na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela funcionava no Castelo, onde, hoje, est\u00e1 a Embaixada Italiana. Ingressei no curso de Filosofia. Mas mudei<br \/>\npara Geografia em 1961.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Por qu\u00ea?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Sempre tive interesse pelas quest\u00f5es mundiais. E minha milit\u00e2ncia pol\u00edtica contou muito. Atuava na base do Partido Comunista. E, em 1964, com o Golpe<br \/>\nMilitar, fui suspenso por um ano em fun\u00e7\u00e3o do meu envolvimento pol\u00edtico. Foi o epis\u00f3dio dos \u201c19 da Fnfi\u201d \u2014 uma exclus\u00e3o de lideran\u00e7as estudantis. Eu sou um<br \/>\ndos 19 alunos. Todos os outros foram expulsos. Mas, na \u00e9poca, meu filho mais velho, Vin\u00edcius Assump\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento<br \/>\nEcon\u00f4mico Solid\u00e1rio, tinha dois anos. Eu era casado. E, por isso, eu fui \u201capenas\u201d suspenso por um ano. No meu curr\u00edculo consta em 1964: \u201csuspenso pelo egr\u00e9gio<br \/>\nConselho Universit\u00e1rio durante o ano de 1964 por atividades subversivas\u201d. Na Geografia, criamos o \u201cN\u00facleo de Estudos Geogr\u00e1ficos (NEG)\u201d, onde faz\u00edamos a<br \/>\nmilit\u00e2ncia. Terminei em 1967. Nesse per\u00edodo, eu n\u00e3o falava com quase ningu\u00e9m pois eu comprometia as pessoas. Havia o perigo de as pessoas serem torturadas,<br \/>\ncaso tivessem contato comigo. Sa\u00ed do Ipase e fui para os Correios. Fiz concurso antes do Golpe e tomei posse em 1965. Virei postalista dos Correios.<br \/>\nTrabalhava no Centro, \u00e0 noite. Em 1967, eu fui para Tingu\u00e1, em Nova Igua\u00e7u. Fui criar galinhas para sobreviver. Eu vivia quase que clandestino, com medo.<br \/>\nDormia nos Correios para n\u00e3o sair \u00e0 noite. Mas a forma\u00e7\u00e3o da Fnfi me deu uma consci\u00eancia cr\u00edtica, desenvolvida.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        Como isso aconteceu?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n         <\/b><br \/>\n         <br \/>\n         Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n          <\/b><br \/>\n          <br \/>\n          Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n           <b><br \/>\n            O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n           <\/b><br \/>\n           <br \/>\n           A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n            <b><br \/>\n             A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n            <\/b><br \/>\n            <br \/>\n            Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n             <b><br \/>\n              Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n             <\/b><br \/>\n             <br \/>\n             Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n              <b><br \/>\n               Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n               <br \/>\n               Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n                <b><br \/>\n                 Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n                 <br \/>\n                 O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n                <\/b>\n               <\/p>\n<p>              <\/b>\n             <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <i><br \/>\n  Aos 81 anos de idade, Antonio Rodrigues da Silva iniciou mais um mandato na gest\u00e3o do Sindicato dos Professores do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro<br \/>\n(Sinpro-Rio). No cargo de primeiro tesoureiro, ele pretende prosseguir com a sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica, iniciada em 1953, com seu ingresso no Partido Comunista<br \/>\nBrasileiro (PCB).<\/p>\n<p>\n   Em uma trajet\u00f3ria de mais de 50 anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, Antonio Rodrigues ilustra, em sua caminhada, a hist\u00f3ria recente da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Em seu<br \/>\ncurr\u00edculo est\u00e3o marcas expl\u00edcitas das pol\u00edticas educacionais dos anos chumbo do Regime Militar (1964\/1985); e tamb\u00e9m  das lutas pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do<br \/>\npa\u00eds e, mais recentemente, do avan\u00e7o do capital privado na educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>\n    \u201cO Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer. Era uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20<br \/>\nvezes \u2018O Encoura\u00e7ado Potemkin\u2019 (Sergei Eisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive<br \/>\nque abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um col\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ\u201d, revelou o sindicalista.<\/p>\n<p>\n     Desde o final da d\u00e9cada de 1970, o educador, que foi um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), milita de forma intensa<br \/>\nno movimento sindical. E, para os dias de hoje, uma de suas propostas \u00e9, justamente, resgatar no Sinpro-Rio espa\u00e7os para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do magist\u00e9rio.<br \/>\nAo revelar o percurso da vida de Antonio Rodrigues, a FOLHA DIRIGIDA presta uma homenagem a todos os educadores que, a exemplo do primeiro tesoureiro do<br \/>\nSinpro-Rio, dedicam sua vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n    <\/p>\n<\/p>\n<p> <\/i><\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Folha Dirigida &#8211; Em que escola o senhor estudou? Como foi o seu processo de forma\u00e7\u00e3o?<br \/>\n   <br \/>\n   Antonio Rodrigues<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  &#8211; Sou uma pessoa de 81 anos. Minha juventude foi no per\u00edodo p\u00f3s-guerra. Sou filho de pai comunista e de m\u00e3e cat\u00f3lica. Sou de Campos<br \/>\ndos Goytacazes. Estudei na Escola T\u00e9cnica de Campos, o atual Cefet de Campos. Fiz Artes Gr\u00e1ficas. \u00c9ramos pequenos propriet\u00e1rios rurais. Meu pai trabalhava na<br \/>\norganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de cana-de-a\u00e7\u00facar. Ele era do Partido Comunista. E fomos expulsos da terra. Migramos, em 1947, para o Rio de Janeiro. Moramos na<br \/>\nFavela do Esqueleto, que ficava onde funciona o campus Maracan\u00e3 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Meu pai, na \u00e9poca, tinha cinco filhos e<br \/>\ndepois vieram mais dois. Foi um grande choque para todos. Completei meu ensino t\u00e9cnico no Senai, na Rua S\u00e3o Francisco Xavier, em Artes Gr\u00e1ficas. E a\u00ed fui<br \/>\ntrabalhar na Imprensa Nacional, em 1949, onde fui linotipista. O fato de trabalhar na Imprensa Nacional como gr\u00e1fico me aproximou da milit\u00e2ncia. Ingressei em<br \/>\n1953 no Partido Comunista, o \u201cpartid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Como e por que o senhor decidiu ser professor?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Na Imprensa Nacional, a vida era muito dura. Posteriormente, em 1957, fiz um concurso para o Instituto de Previd\u00eancia e Servidores do Estado (Ipase), que<br \/>\nfuncionava no Centro do Rio. Entre 1957 e 1960, fui escritur\u00e1rio do Ipase. E a\u00ed fui para a Faculdade Nacional de Filosofia (Fnfi), cujos cursos hoje integram<br \/>\na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela funcionava no Castelo, onde, hoje, est\u00e1 a Embaixada Italiana. Ingressei no curso de Filosofia. Mas mudei<br \/>\npara Geografia em 1961.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Por qu\u00ea?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Sempre tive interesse pelas quest\u00f5es mundiais. E minha milit\u00e2ncia pol\u00edtica contou muito. Atuava na base do Partido Comunista. E, em 1964, com o Golpe<br \/>\nMilitar, fui suspenso por um ano em fun\u00e7\u00e3o do meu envolvimento pol\u00edtico. Foi o epis\u00f3dio dos \u201c19 da Fnfi\u201d \u2014 uma exclus\u00e3o de lideran\u00e7as estudantis. Eu sou um<br \/>\ndos 19 alunos. Todos os outros foram expulsos. Mas, na \u00e9poca, meu filho mais velho, Vin\u00edcius Assump\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento<br \/>\nEcon\u00f4mico Solid\u00e1rio, tinha dois anos. Eu era casado. E, por isso, eu fui \u201capenas\u201d suspenso por um ano. No meu curr\u00edculo consta em 1964: \u201csuspenso pelo egr\u00e9gio<br \/>\nConselho Universit\u00e1rio durante o ano de 1964 por atividades subversivas\u201d. Na Geografia, criamos o \u201cN\u00facleo de Estudos Geogr\u00e1ficos (NEG)\u201d, onde faz\u00edamos a<br \/>\nmilit\u00e2ncia. Terminei em 1967. Nesse per\u00edodo, eu n\u00e3o falava com quase ningu\u00e9m pois eu comprometia as pessoas. Havia o perigo de as pessoas serem torturadas,<br \/>\ncaso tivessem contato comigo. Sa\u00ed do Ipase e fui para os Correios. Fiz concurso antes do Golpe e tomei posse em 1965. Virei postalista dos Correios.<br \/>\nTrabalhava no Centro, \u00e0 noite. Em 1967, eu fui para Tingu\u00e1, em Nova Igua\u00e7u. Fui criar galinhas para sobreviver. Eu vivia quase que clandestino, com medo.<br \/>\nDormia nos Correios para n\u00e3o sair \u00e0 noite. Mas a forma\u00e7\u00e3o da Fnfi me deu uma consci\u00eancia cr\u00edtica, desenvolvida.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Como isso aconteceu?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n         <\/b><br \/>\n         <br \/>\n         Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n          <\/b><br \/>\n          <br \/>\n          A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n           <b><br \/>\n            A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n           <\/b><br \/>\n           <br \/>\n           Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n            <b><br \/>\n             Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n            <\/b><br \/>\n            <br \/>\n            Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n             <b><br \/>\n              Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n              <br \/>\n              Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n               <b><br \/>\n                Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n                <br \/>\n                O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n               <\/b>\n              <\/p>\n<p>             <\/b>\n            <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n Em uma trajet\u00f3ria de mais de 50 anos dedicados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, Antonio Rodrigues ilustra, em sua caminhada, a hist\u00f3ria recente da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Em seu<br \/>\ncurr\u00edculo est\u00e3o marcas expl\u00edcitas das pol\u00edticas educacionais dos anos chumbo do Regime Militar (1964\/1985); e tamb\u00e9m  das lutas pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do<br \/>\npa\u00eds e, mais recentemente, do avan\u00e7o do capital privado na educa\u00e7\u00e3o superior.<\/p>\n<p>\n  \u201cO Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer. Era uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20<br \/>\nvezes \u2018O Encoura\u00e7ado Potemkin\u2019 (Sergei Eisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive<br \/>\nque abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um col\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ\u201d, revelou o sindicalista.<\/p>\n<p>\n   Desde o final da d\u00e9cada de 1970, o educador, que foi um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), milita de forma intensa<br \/>\nno movimento sindical. E, para os dias de hoje, uma de suas propostas \u00e9, justamente, resgatar no Sinpro-Rio espa\u00e7os para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do magist\u00e9rio.<br \/>\nAo revelar o percurso da vida de Antonio Rodrigues, a FOLHA DIRIGIDA presta uma homenagem a todos os educadores que, a exemplo do primeiro tesoureiro do<br \/>\nSinpro-Rio, dedicam sua vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n  <\/p>\n<\/p>\n<p>\n \u201cO Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer. Era uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20<br \/>\nvezes \u2018O Encoura\u00e7ado Potemkin\u2019 (Sergei Eisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive<br \/>\nque abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um col\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ\u201d, revelou o sindicalista.<\/p>\n<p>\n  Desde o final da d\u00e9cada de 1970, o educador, que foi um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), milita de forma intensa<br \/>\nno movimento sindical. E, para os dias de hoje, uma de suas propostas \u00e9, justamente, resgatar no Sinpro-Rio espa\u00e7os para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do magist\u00e9rio.<br \/>\nAo revelar o percurso da vida de Antonio Rodrigues, a FOLHA DIRIGIDA presta uma homenagem a todos os educadores que, a exemplo do primeiro tesoureiro do<br \/>\nSinpro-Rio, dedicam sua vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n <\/p>\n<\/p>\n<p>\n Desde o final da d\u00e9cada de 1970, o educador, que foi um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), milita de forma intensa<br \/>\nno movimento sindical. E, para os dias de hoje, uma de suas propostas \u00e9, justamente, resgatar no Sinpro-Rio espa\u00e7os para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do magist\u00e9rio.<br \/>\nAo revelar o percurso da vida de Antonio Rodrigues, a FOLHA DIRIGIDA presta uma homenagem a todos os educadores que, a exemplo do primeiro tesoureiro do<br \/>\nSinpro-Rio, dedicam sua vida \u00e0 educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Folha Dirigida &#8211; Em que escola o senhor estudou? Como foi o seu processo de forma\u00e7\u00e3o?<br \/>\n  <br \/>\n  Antonio Rodrigues<br \/>\n <\/b><br \/>\n &#8211; Sou uma pessoa de 81 anos. Minha juventude foi no per\u00edodo p\u00f3s-guerra. Sou filho de pai comunista e de m\u00e3e cat\u00f3lica. Sou de Campos<br \/>\ndos Goytacazes. Estudei na Escola T\u00e9cnica de Campos, o atual Cefet de Campos. Fiz Artes Gr\u00e1ficas. \u00c9ramos pequenos propriet\u00e1rios rurais. Meu pai trabalhava na<br \/>\norganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de cana-de-a\u00e7\u00facar. Ele era do Partido Comunista. E fomos expulsos da terra. Migramos, em 1947, para o Rio de Janeiro. Moramos na<br \/>\nFavela do Esqueleto, que ficava onde funciona o campus Maracan\u00e3 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Meu pai, na \u00e9poca, tinha cinco filhos e<br \/>\ndepois vieram mais dois. Foi um grande choque para todos. Completei meu ensino t\u00e9cnico no Senai, na Rua S\u00e3o Francisco Xavier, em Artes Gr\u00e1ficas. E a\u00ed fui<br \/>\ntrabalhar na Imprensa Nacional, em 1949, onde fui linotipista. O fato de trabalhar na Imprensa Nacional como gr\u00e1fico me aproximou da milit\u00e2ncia. Ingressei em<br \/>\n1953 no Partido Comunista, o \u201cpartid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Como e por que o senhor decidiu ser professor?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Na Imprensa Nacional, a vida era muito dura. Posteriormente, em 1957, fiz um concurso para o Instituto de Previd\u00eancia e Servidores do Estado (Ipase), que<br \/>\nfuncionava no Centro do Rio. Entre 1957 e 1960, fui escritur\u00e1rio do Ipase. E a\u00ed fui para a Faculdade Nacional de Filosofia (Fnfi), cujos cursos hoje integram<br \/>\na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela funcionava no Castelo, onde, hoje, est\u00e1 a Embaixada Italiana. Ingressei no curso de Filosofia. Mas mudei<br \/>\npara Geografia em 1961.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Por qu\u00ea?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Sempre tive interesse pelas quest\u00f5es mundiais. E minha milit\u00e2ncia pol\u00edtica contou muito. Atuava na base do Partido Comunista. E, em 1964, com o Golpe<br \/>\nMilitar, fui suspenso por um ano em fun\u00e7\u00e3o do meu envolvimento pol\u00edtico. Foi o epis\u00f3dio dos \u201c19 da Fnfi\u201d \u2014 uma exclus\u00e3o de lideran\u00e7as estudantis. Eu sou um<br \/>\ndos 19 alunos. Todos os outros foram expulsos. Mas, na \u00e9poca, meu filho mais velho, Vin\u00edcius Assump\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento<br \/>\nEcon\u00f4mico Solid\u00e1rio, tinha dois anos. Eu era casado. E, por isso, eu fui \u201capenas\u201d suspenso por um ano. No meu curr\u00edculo consta em 1964: \u201csuspenso pelo egr\u00e9gio<br \/>\nConselho Universit\u00e1rio durante o ano de 1964 por atividades subversivas\u201d. Na Geografia, criamos o \u201cN\u00facleo de Estudos Geogr\u00e1ficos (NEG)\u201d, onde faz\u00edamos a<br \/>\nmilit\u00e2ncia. Terminei em 1967. Nesse per\u00edodo, eu n\u00e3o falava com quase ningu\u00e9m pois eu comprometia as pessoas. Havia o perigo de as pessoas serem torturadas,<br \/>\ncaso tivessem contato comigo. Sa\u00ed do Ipase e fui para os Correios. Fiz concurso antes do Golpe e tomei posse em 1965. Virei postalista dos Correios.<br \/>\nTrabalhava no Centro, \u00e0 noite. Em 1967, eu fui para Tingu\u00e1, em Nova Igua\u00e7u. Fui criar galinhas para sobreviver. Eu vivia quase que clandestino, com medo.<br \/>\nDormia nos Correios para n\u00e3o sair \u00e0 noite. Mas a forma\u00e7\u00e3o da Fnfi me deu uma consci\u00eancia cr\u00edtica, desenvolvida.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Como isso aconteceu?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n         <\/b><br \/>\n         <br \/>\n         A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n          <\/b><br \/>\n          <br \/>\n          Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n           <b><br \/>\n            Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n           <\/b><br \/>\n           <br \/>\n           Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n            <b><br \/>\n             Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n             <br \/>\n             Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n              <b><br \/>\n               Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n               <br \/>\n               O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n              <\/b>\n             <\/p>\n<p>            <\/b>\n           <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Como e por que o senhor decidiu ser professor?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Na Imprensa Nacional, a vida era muito dura. Posteriormente, em 1957, fiz um concurso para o Instituto de Previd\u00eancia e Servidores do Estado (Ipase), que<br \/>\nfuncionava no Centro do Rio. Entre 1957 e 1960, fui escritur\u00e1rio do Ipase. E a\u00ed fui para a Faculdade Nacional de Filosofia (Fnfi), cujos cursos hoje integram<br \/>\na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela funcionava no Castelo, onde, hoje, est\u00e1 a Embaixada Italiana. Ingressei no curso de Filosofia. Mas mudei<br \/>\npara Geografia em 1961.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Por qu\u00ea?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Sempre tive interesse pelas quest\u00f5es mundiais. E minha milit\u00e2ncia pol\u00edtica contou muito. Atuava na base do Partido Comunista. E, em 1964, com o Golpe<br \/>\nMilitar, fui suspenso por um ano em fun\u00e7\u00e3o do meu envolvimento pol\u00edtico. Foi o epis\u00f3dio dos \u201c19 da Fnfi\u201d \u2014 uma exclus\u00e3o de lideran\u00e7as estudantis. Eu sou um<br \/>\ndos 19 alunos. Todos os outros foram expulsos. Mas, na \u00e9poca, meu filho mais velho, Vin\u00edcius Assump\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento<br \/>\nEcon\u00f4mico Solid\u00e1rio, tinha dois anos. Eu era casado. E, por isso, eu fui \u201capenas\u201d suspenso por um ano. No meu curr\u00edculo consta em 1964: \u201csuspenso pelo egr\u00e9gio<br \/>\nConselho Universit\u00e1rio durante o ano de 1964 por atividades subversivas\u201d. Na Geografia, criamos o \u201cN\u00facleo de Estudos Geogr\u00e1ficos (NEG)\u201d, onde faz\u00edamos a<br \/>\nmilit\u00e2ncia. Terminei em 1967. Nesse per\u00edodo, eu n\u00e3o falava com quase ningu\u00e9m pois eu comprometia as pessoas. Havia o perigo de as pessoas serem torturadas,<br \/>\ncaso tivessem contato comigo. Sa\u00ed do Ipase e fui para os Correios. Fiz concurso antes do Golpe e tomei posse em 1965. Virei postalista dos Correios.<br \/>\nTrabalhava no Centro, \u00e0 noite. Em 1967, eu fui para Tingu\u00e1, em Nova Igua\u00e7u. Fui criar galinhas para sobreviver. Eu vivia quase que clandestino, com medo.<br \/>\nDormia nos Correios para n\u00e3o sair \u00e0 noite. Mas a forma\u00e7\u00e3o da Fnfi me deu uma consci\u00eancia cr\u00edtica, desenvolvida.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Como isso aconteceu?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n         <\/b><br \/>\n         <br \/>\n         Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n          <\/b><br \/>\n          <br \/>\n          Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n           <b><br \/>\n            Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n            <br \/>\n            Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n             <b><br \/>\n              Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n              <br \/>\n              O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n             <\/b>\n            <\/p>\n<p>           <\/b>\n          <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Por qu\u00ea?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Sempre tive interesse pelas quest\u00f5es mundiais. E minha milit\u00e2ncia pol\u00edtica contou muito. Atuava na base do Partido Comunista. E, em 1964, com o Golpe<br \/>\nMilitar, fui suspenso por um ano em fun\u00e7\u00e3o do meu envolvimento pol\u00edtico. Foi o epis\u00f3dio dos \u201c19 da Fnfi\u201d \u2014 uma exclus\u00e3o de lideran\u00e7as estudantis. Eu sou um<br \/>\ndos 19 alunos. Todos os outros foram expulsos. Mas, na \u00e9poca, meu filho mais velho, Vin\u00edcius Assump\u00e7\u00e3o, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio municipal de Desenvolvimento<br \/>\nEcon\u00f4mico Solid\u00e1rio, tinha dois anos. Eu era casado. E, por isso, eu fui \u201capenas\u201d suspenso por um ano. No meu curr\u00edculo consta em 1964: \u201csuspenso pelo egr\u00e9gio<br \/>\nConselho Universit\u00e1rio durante o ano de 1964 por atividades subversivas\u201d. Na Geografia, criamos o \u201cN\u00facleo de Estudos Geogr\u00e1ficos (NEG)\u201d, onde faz\u00edamos a<br \/>\nmilit\u00e2ncia. Terminei em 1967. Nesse per\u00edodo, eu n\u00e3o falava com quase ningu\u00e9m pois eu comprometia as pessoas. Havia o perigo de as pessoas serem torturadas,<br \/>\ncaso tivessem contato comigo. Sa\u00ed do Ipase e fui para os Correios. Fiz concurso antes do Golpe e tomei posse em 1965. Virei postalista dos Correios.<br \/>\nTrabalhava no Centro, \u00e0 noite. Em 1967, eu fui para Tingu\u00e1, em Nova Igua\u00e7u. Fui criar galinhas para sobreviver. Eu vivia quase que clandestino, com medo.<br \/>\nDormia nos Correios para n\u00e3o sair \u00e0 noite. Mas a forma\u00e7\u00e3o da Fnfi me deu uma consci\u00eancia cr\u00edtica, desenvolvida.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Como isso aconteceu?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n         <\/b><br \/>\n         <br \/>\n         Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n           <br \/>\n           Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n            <b><br \/>\n             Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n             <br \/>\n             O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n            <\/b>\n           <\/p>\n<p>          <\/b>\n         <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Ao longo da Ditadura Militar, o senhor sofreu algum tipo de persegui\u00e7\u00e3o?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Sim. Em 1968, fiz est\u00e1gio no Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Cap-UFRJ). Dei aulas como licenciando e fui convidado a ficar<br \/>\ncomo professor, com as turmas do terceiro ano. Passei a lidar no Cap-UFRJ com alunos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o Argelina. Carlos Minc e Alfredo Sirkis foram meus<br \/>\nalunos. E, nessa constru\u00e7\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um simples professor. A escola se transforma em um instrumento de reflex\u00e3o. O Cap-UFRJ n\u00e3o era uma escola qualquer.<br \/>\nEra uma escola cr\u00edtica, que funcionou como um instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o. Havia um cineclube. Passamos mais de 20 vezes \u201cO Encoura\u00e7ado Potemkin\u201d (Sergei<br \/>\nEisenstein\/1925) para fazer o debate sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E isso significou, para mim, perda de emprego. Eu tive que abandonar o emprego no Cap-UFRJ, um<br \/>\ncol\u00e9gio federal. Hoje, estaria aposentado pela UFRJ.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Como isso aconteceu?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n        <\/b><br \/>\n        <br \/>\n        Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n          <br \/>\n          Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n           <b><br \/>\n            Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n            <br \/>\n            O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n           <\/b>\n          <\/p>\n<p>         <\/b>\n        <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Como isso aconteceu?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Eu n\u00e3o fui expulso. Uma vez, dois sujeitos de palet\u00f3 e gravata chegaram durante a reuni\u00e3o de professores. Eles perguntaram: \u201cO senhor Ant\u00f4nio Rodrigues da<br \/>\nSilva? Quem \u00e9 ele?\u201d. \u201cA\u00ed, meu colegas falaram: \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 aqui. N\u00e3o tem vindo trabalhar\u201d. E, eles falaram: \u201cvamos verificar\u201d. E, ent\u00e3o, eu fugi. Sai pela<br \/>\nLagoa. Caminhei at\u00e9 o Corte do Cantagalo, que ainda estava sendo aberto. Isso foi em 1974, no governo do M\u00e9dici. Fui para Copacabana, peguei um \u00f4nibus, depois<br \/>\noutro \u00f4nibus e v\u00e1rias condu\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar a Nova Igua\u00e7u, onde morava na \u00e9poca. Eu n\u00e3o tinha carro. E nunca mais voltei ao Cap-UFRJ pois tinha medo de ser<br \/>\npreso.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n       <\/b><br \/>\n       <br \/>\n       Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n         <br \/>\n         Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n          <b><br \/>\n           Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n           <br \/>\n           O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n          <\/b>\n         <\/p>\n<p>        <\/b>\n       <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  E o que o senhor fez depois disso?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Em 1975, fui para o Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o Batista de Matos, em Acari. E arrumei emprego na Secretaria de Cultura de Nova Igua\u00e7u. Passei a trabalhar com<br \/>\nmanifesta\u00e7\u00f5es culturais de sub\u00farbio. Trabalh\u00e1vamos com Folia de Reis, pois a maioria dos moradores de Nova Igua\u00e7u era de migrantes do Norte Fluminense e da<br \/>\nZona da Mata mineira. Passei a coordenar atividades no \u201cTeatro Arc\u00e1dia\u201d. Fizemos teatros populares e, paralelamente, a organiza\u00e7\u00e3o social. Criamos o \u201cTEI\u201d,<br \/>\nque \u00e9 o Teatro do Estudante Igua\u00e7uano. Montamos Nelson Rodrigues. Muitos artistas nos ajudavam. Maria Clara Machado nos cedeu os direitos de \u201cPluf, o<br \/>\nFantasminha\u201d. E acabei no Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Rangel Pestana, em Nova Igua\u00e7u, onde fui vice-diretor. A escola virou um centro de debates. Isso foi em 1977,<br \/>\n1978. E, no governo Faria Lima, fui desligado da dire\u00e7\u00e3o desse col\u00e9gio com o argumento de que eu estava contaminando o munic\u00edpio com as minhas ideias. Ainda<br \/>\nviv\u00edamos com o \u201cg\u00e1s\u201d, com o \u201cambiente\u201d da ditadura.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n      <\/b><br \/>\n      <br \/>\n      Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n        <br \/>\n        Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n         <b><br \/>\n          Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n          <br \/>\n          O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n         <\/b>\n        <\/p>\n<p>       <\/b>\n      <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  E como o senhor ingressou no Sinpro-Rio?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Sa\u00ed do Instituto Rangel Pestana e fui trabalhar no Col\u00e9gio Estadual Andr\u00e9 Maurois, no Rio. Em 1981, passei no concurso do Col\u00e9gio Pedro II. E, em seguida,<br \/>\nem 1982, passei para o Col\u00e9gio Naval. Trabalhei em muitas institui\u00e7\u00f5es particulares, como a Escola Parque, o Col\u00e9gio Sacr\u00e9-Coeur de Marie, a Universidade<br \/>\nSanta \u00darsula. Fui um dos fundadores do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educa\u00e7\u00e3o (Sepe), em 1979, onde passei a fazer milit\u00e2ncia. Fui secret\u00e1rio-geral<br \/>\ndo Sepe na gest\u00e3o de Godofredo Pinto. E, no Sinpro-Rio, ingressei quase concomitantemente, no final da d\u00e9cada de 1970, como suplemente do Conselho Fiscal. E,<br \/>\ngradativamente, passei a militar mais intensamente no Sinpro-Rio.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n     <\/b><br \/>\n     <br \/>\n     Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n       <br \/>\n       Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n        <b><br \/>\n         Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n         <br \/>\n         O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n        <\/b>\n       <\/p>\n<p>      <\/b>\n     <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Na d\u00e9cada de 1980, as assembleias dos professores reuniram mais de dez mil pessoas. Hoje, muitas vezes, a maioria delas ocorre com apenas dezenas de<br \/>\nprofissionais. O que mudou?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Considero que a sociedade est\u00e1 mais individualista. H\u00e1 uma concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade. A partir do governo do presidente Lula, o pa\u00eds passou por<br \/>\nmudan\u00e7as pol\u00edticas. Mas, a sociedade passou a se constituir em uma concep\u00e7\u00e3o individualista. Aquele modelo, pelo qual fui perseguido e demitido por posi\u00e7\u00f5es<br \/>\npol\u00edticas, defendia uma escola que trabalhasse com uma proposta transformadora de sociedade. Para n\u00f3s, a escola deveria ser um ve\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o e de<br \/>\ntransforma\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. E a concep\u00e7\u00e3o neoliberal de sociedade, surgida a partir da d\u00e9cada de 1990, resultou em cidad\u00e3os mais individualistas. E<br \/>\nisso se refletiu no movimento social. Temos profissionais jovens pulverizados em muitas escolas. Os profissionais inevitavelmente formados por essa escola,<br \/>\ncom a Educa\u00e7\u00e3o Moral e C\u00edvica ou com uma Hist\u00f3ria apagada, foram afetados. O movimento sindical foi incapaz de formar essas pessoas. Acredito que o sindicato<br \/>\ndeve ter semin\u00e1rios e cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por isso, no Sinpro-Rio, temos a Escola do Professor.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n    <\/b><br \/>\n    <br \/>\n    Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n      <br \/>\n      Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n       <b><br \/>\n        Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n        <br \/>\n        O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n       <\/b>\n      <\/p>\n<p>     <\/b>\n    <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  O senhor defende mudan\u00e7as nas atividades da Escola do Professor?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n A Escola do Professor deve ser um centro de pensamento cr\u00edtico para que o profissional venha para o sindicato para refletir a realidade, para se formar<br \/>\nmelhor, ultrapassando os limites de sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Hoje, as pessoas pensam primeiro no seu emprego, em melhorar de vida, em ganhar bem. Isso foi<br \/>\ndifundido durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). E o movimento sindical ficou em segundo plano.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n   <\/b><br \/>\n   <br \/>\n   Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n     <br \/>\n     Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n      <b><br \/>\n       Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n       <br \/>\n       O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n      <\/b>\n     <\/p>\n<p>    <\/b>\n   <\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  A l\u00f3gica empresarial contaminou o ambiente das escolas?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Gostaria de separar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica da educa\u00e7\u00e3o particular. O pa\u00eds vive um momento crucial. As \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es mostraram que as for\u00e7as progressistas<br \/>\nn\u00e3o est\u00e3o sendo capazes de mexer na geografia pol\u00edtica da educa\u00e7\u00e3o. Para mim, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito e a escola privada deve ser regulada. Hoje, as escolas<br \/>\nprivadas s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o que disputam o mercado, preocupadas em ocupar os melhores lugares do ranking. No Sinpro-Rio somos veementemente contr\u00e1rios<br \/>\nao ranqueamento. \u00c9 preciso resistir de forma revolucion\u00e1ria. As escolas, hoje, s\u00e3o empresas de educa\u00e7\u00e3o, ligadas ao mercado e que ganham muito. Na educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nsuperior, h\u00e1 empresas multinacionais. Defendemos a nacionaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior pois existem empresas de fora ingressando nesse mercado. \u00c0s vezes, elas<br \/>\ns\u00e3o camufladas com nomes nacionais. Mas h\u00e1 grupos estrangeiros que injetam dinheiro em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, numa pr\u00e1tica que revela um conglomerado de grandes<br \/>\ncorpora\u00e7\u00f5es. E essa for\u00e7a pol\u00edtica se contrap\u00f5e \u00e0 escola p\u00fablica. Precisamos de uma sociedade mais justa, mais democr\u00e1tica, com o poder popular.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n  <\/b><br \/>\n  <br \/>\n  Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n    <br \/>\n    Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n     <b><br \/>\n      Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n      <br \/>\n      O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n     <\/b>\n    <\/p>\n<p>   <\/b>\n  <\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Hoje em dia, faltam professores de Geografia. O que t\u00eam afastado os jovens dessa carreira?<br \/>\n <\/b><br \/>\n <br \/>\n Acredito que isso depende da regi\u00e3o. A Geografia tem o contradit\u00f3rio. Nas grandes universidades, como a UFRJ, a Universidade Federal Fluminense (UFF), o<br \/>\naluno sai ge\u00f3grafo, ele tem outra rela\u00e7\u00e3o de emprego. O magist\u00e9rio n\u00e3o est\u00e1 competindo, oferecendo vantagens para esses jovens. Estamos perdendo os ge\u00f3grafos<br \/>\npara a ind\u00fastria do Petr\u00f3leo. Precisamos discutir a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. Hoje, o profissional bem formado tem oferta de empregos. E esse<br \/>\njovem n\u00e3o vai cair no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\n  <b><br \/>\n   Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n   <br \/>\n   Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n    <b><br \/>\n     Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n     <br \/>\n     O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n    <\/b>\n   <\/p>\n<p>  <\/b>\n <\/p>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Como o senhor avalia o ensino de Geografia nos dias atuais? O que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, precisa mudar?<br \/>\n  <br \/>\n  Hoje, existe uma outra Geografia. As universidades precisam mudar o seu curr\u00edculo. N\u00e3o temos mais a Geografia da paisagem. Mas precisamos discutir o<br \/>\nespa\u00e7o, o territ\u00f3rio, o lugar, a quest\u00e3o ambiental. Os curr\u00edculos da UFF e da UFRJ s\u00e3o bons. Mas essas universidades  formam poucos  profissionais para grande<br \/>\ndemanda. Toda a quest\u00e3o da falta de professores de F\u00edsica, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica e Geografia, na verdade, cai na quest\u00e3o salarial. No Col\u00e9gio Pedro II n\u00e3o<br \/>\nfaltam professores de Geografia. A cada vez que se abre um concurso, h\u00e1 muitos candidatos. Isso ocorre porque l\u00e1 a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, existe um plano de<br \/>\ncargos e sal\u00e1rios, a carreira \u00e9 atrativa, condizente com o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o. E a escola privada se beneficia dessa situa\u00e7\u00e3o, pois, com sal\u00e1rios maiores,<br \/>\nrecebe os melhores professores.<\/p>\n<p>\n   <b><br \/>\n    Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n    <br \/>\n    O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n   <\/b>\n  <\/p>\n<p> <\/b>\n<\/p>\n<p>\n <b><br \/>\n  Ao longo de mais de 50 anos de sua trajet\u00f3ria profissional, o que melhorou e o que piorou na carreira do magist\u00e9rio?<br \/>\n  <br \/>\n  O que melhorou foi o n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o dos professores. Hoje, temos um profissional muito mais qualificado, apesar de todas as defici\u00eancias. H\u00e1 mais<br \/>\noportunidades, com pol\u00edticas p\u00fablicas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Todo professor deve ter curso superior para lecionar, pois defendemos que ele deve ser um profissional<br \/>\nde n\u00edvel superior. A educa\u00e7\u00e3o exige mais; hoje, o mal formado tem pouco espa\u00e7o. O que piorou mesmo foi a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio. O professor \u00e9 um<br \/>\nprofissional com prest\u00edgio, ainda. Mas isso vem sendo degradado paulatinamente. \u00c9 preciso que o discurso do prest\u00edgio corresponda a uma remunera\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nNa rede privada, no primeiro segmento do ensino fundamental e na educa\u00e7\u00e3o infantil, o piso ainda \u00e9 baixo. O piso no Rio de Janeiro \u00e9 de R$800 para esse<br \/>\nsegmento. Resta, agora, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores para exigirem a remunera\u00e7\u00e3o correspondente ao seu n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\n <\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>17\/12\/2014 E a luta pela educa\u00e7\u00e3o continua Aos 81 anos de idade, Antonio Rodrigues da Silva iniciou mais um mandato na gest\u00e3o do Sindicato dos Professores do Munic\u00edpio do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio). 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