Por que estamos em greve?

Greve das professoras e dos professores da Educação Básica

2 de setembro · 24 horas de paralisação
Campanha Salarial 2026 - Educação Básica
Professoras e professores em ato da campanha salarial

Por que chegamos à greve?

Depois de meses de negociação, mobilização e tentativas de acordo, professoras e professores da Educação Básica decidiram paralisar as atividades por 24 horas no dia 2 de setembro.

A greve acontece diante da intransigência do Sinepe-Rio, sindicato patronal que representa as instituições particulares de ensino, durante as negociações. A decisão foi aprovada por unanimidade em assembleia realizada no dia 15 de agosto.

A categoria reivindica reajuste salarial, reconhecimento e remuneração do trabalho realizado fora da sala de aula, equiparação salarial, licença-paternidade de 20 dias e melhores condições de trabalho.

A data-base dos professores é em abril. Mesmo com a campanha salarial já chegando ao início de setembro, as negociações ainda não avançaram para um acordo.

Por que os professores estão em greve?

Porque o trabalho docente não termina quando a aula acaba

Preparar aulas, corrigir provas e atividades, produzir materiais, preencher relatórios, participar de reuniões pedagógicas e acompanhar processos de inclusão fazem parte da jornada de trabalho das professoras e dos professores.

Esse trabalho existe e é indispensável para garantir a qualidade da educação. O que a categoria reivindica é que ele seja reconhecido e remunerado.

Na pauta apresentada pelo Sinpro-Rio, a proposta é acrescentar 3% à remuneração dos professores pela hora-atividade, que inclui planejamento, correção de atividades e preparação de aulas.

Esse é um dos principais pontos de impasse nas negociações. Segundo o Sinpro-Rio, o Sinepe-Rio tem resistido à inclusão de qualquer percentual destinado ao trabalho extraclasse.

O que compreende a hora-atividade?

  • Planejamento de aulas
  • Preparação e correção de provas e atividades
  • Produção de materiais didáticos
  • Atividades relacionadas à inclusão escolar
  • Outras tarefas pedagógicas realizadas fora do horário de aula
Campanha Salarial 2026

Quais as nossas reivindicações?

Salário também é valorização

A categoria iniciou a negociação defendendo um reajuste equivalente ao INPC do período, acrescido de 10% de ganho real.

Ao longo do processo, as professoras e os professores reduziram a reivindicação. Em agosto, a proposta aprovada pela categoria passou a ser de 6% de reajuste salarial.

O Sinepe-Rio, por sua vez, manteve uma proposta de 3,77%.

Na reunião de 28 de agosto, o sindicato patronal manteve a proposta de 3,77%, com retroatividade a abril, e a possibilidade de discutir mais 0,23% em fevereiro. O Sinpro-Rio apresentou contraproposta de 5,5% e voltou a defender avanços na negociação da hora-atividade. A reunião terminou sem acordo.

A disparidade fica evidente quando se comparam os reajustes: as mensalidades escolares subiram cerca de 10% no início de 2026, segundo levantamento apresentado pelo Sinpro-Rio, enquanto a proposta patronal para os salários dos professores permaneceu limitada a 3,77%.

Igualdade entre professores

A campanha salarial também enfrenta uma desigualdade histórica dentro da Educação Básica.

Professoras e professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I e II recebem valores de hora-aula inferiores aos praticados em outros segmentos, apesar das exigências de formação e das responsabilidades envolvidas no trabalho docente.

Por isso, a categoria reivindica um programa de equiparação salarial, com implementação em até cinco anos.

A proposta foi mantida entre os principais pontos defendidos pelo Sinpro-Rio nas negociações e na mediação judicial.

Licença-paternidade: 20 dias

A pauta também inclui a ampliação da licença-paternidade para 20 dias.

A proposta patronal apresentada anteriormente previa apenas o acréscimo de dois dias ao período então vigente. Para a categoria, a medida é insuficiente diante da necessidade de ampliar a participação dos pais nos cuidados com os filhos.

Ampliar a licença-paternidade é também fortalecer a corresponsabilidade no cuidado e avançar na construção de relações de trabalho mais justas.

Saúde e condições de trabalho

A discussão salarial não pode ser separada das condições em que o trabalho docente é realizado.

Professoras e professores enfrentam sobrecarga provocada pelo acúmulo de tarefas, cobranças, prazos e atividades realizadas fora da sala de aula.

A pauta do Sinpro-Rio inclui medidas de combate ao assédio moral e a defesa de ambientes de trabalho mais saudáveis e respeitosos. Durante a campanha, a categoria também levou às ruas denúncias sobre os impactos da sobrecarga na saúde física e mental dos profissionais.

Valorizar o professor também significa reconhecer o tempo de trabalho, respeitar sua jornada e garantir condições dignas para o exercício da profissão.

O que a categoria está reivindicando?

6% de reajuste salarial

Para recuperar perdas, enfrentar o aumento do custo de vida e avançar na valorização dos salários.

3% de hora-atividade

Para reconhecer e remunerar o trabalho realizado além da sala de aula.

Equiparação salarial

Com um programa para reduzir, em até cinco anos, as diferenças entre os segmentos da Educação Básica.

20 dias de licença-paternidade

Para ampliar o direito à participação dos pais nos primeiros cuidados com os filhos.

Valorização profissional

Com avanços no reconhecimento do aprimoramento acadêmico e melhores condições para o exercício da profissão.

Combate ao assédio moral

Com ações preventivas e educativas nas instituições de ensino.

Essas reivindicações fazem parte de uma pauta mais ampla, construída pela categoria e aprovada em assembleia. A pauta original também previa a manutenção das cláusulas da Convenção Coletiva e novos mecanismos de valorização profissional.

Uma campanha construída desde março

Desde março, a categoria vem construindo a campanha salarial em assembleias, nas quais foi aprovada a pauta de reivindicações para 2026. A data-base dos professores e das professoras da Educação Básica é em abril.

Desde então, o Sinpro-Rio realizou reuniões de negociação, assembleias, atos públicos em diferentes regiões do Rio de Janeiro e mobilizações junto à sociedade.

A categoria também buscou a mediação da Justiça do Trabalho quando o processo de negociação não avançou.

A greve é, portanto, resultado do descaso, da falta de respostas concretas e do esgotamento de um processo de negociação que se estende há meses.

Linha do tempo da negociação

Linha do tempo da Campanha Salarial 2026

Campanha Salarial 2026 - Educação Básica
14.03
Mar2026

Março – A pauta é aprovada

Em 14 de março, professoras e professores da Educação Básica aprovaram por unanimidade a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2026.

Entre as propostas estavam o reajuste pelo INPC acrescido de 10% de ganho real, o pagamento da hora-atividade, a equiparação salarial, a valorização do aprimoramento acadêmico, o combate ao assédio moral e a manutenção das cláusulas da Convenção Coletiva.

Assembleia de março que aprovou a pauta de reivindicações
22.04
Abr2026

Abril – A campanha chega às ruas

Com a chegada da data-base, o Sinpro-Rio intensificou a mobilização.

Em 22 de abril, um ato no Méier levou às ruas temas como o não pagamento do trabalho realizado fora da sala de aula, a ausência do piso nacional para grande parte dos professores da rede privada e os impactos da sobrecarga na saúde da categoria.

Ao longo do mês, novos atos foram realizados em diferentes regiões da cidade.

As negociações seguiam sem resposta capaz de atender às reivindicações da categoria.

Ato da campanha salarial no Méier em abril
16.05
Mai2026

Maio – A proposta patronal é rejeitada

Em 16 de maio, uma nova assembleia da Educação Básica avaliou o andamento das negociações e considerou insuficiente a proposta apresentada pelo patronato.

A categoria decidiu intensificar a mobilização nas ruas e nas redes sociais, com novos atos nas portas das escolas e cobrança pública pelo reconhecimento e pela remuneração do trabalho extraclasse.

No mesmo período, o Sinpro-Rio ampliou a mobilização em diferentes regiões:

  • Campo Grande
  • Botafogo
  • Tijuca
  • Jacarepaguá
  • Santíssimo
  • outras regiões da cidade

Em Jacarepaguá, por exemplo, o sindicato denunciou uma proposta de aumento de apenas R$ 1 na hora-aula, além da ausência de remuneração pelo trabalho realizado fora da sala de aula.

Mobilização nas portas das escolas em maio
27.06
Jun2026

Junho – A mobilização se fortalece

Durante junho, os atos continuaram em diferentes pontos do Rio de Janeiro, incluindo Botafogo, Tijuca, Maracanã, Humaitá e outras regiões.

A categoria manteve a cobrança por reajuste salarial e pelo reconhecimento do trabalho extraclasse.

Em 27 de junho, uma nova assembleia da Educação Básica foi convocada para avaliar o andamento da campanha.

Atos da categoria em diferentes regiões do Rio em junho
30.06
30Junho

30 de junho: estado de greve

Diante da falta de avanços, professoras e professores rejeitaram a proposta apresentada pelo Sinepe-Rio e aprovaram, por unanimidade, o estado de greve.

A proposta patronal previa reajuste de 3,77% e apenas dois dias adicionais de licença-paternidade.

A categoria considerou a oferta insuficiente e decidiu preparar novas formas de mobilização.

JUL
Jul2026

Julho – A negociação continua sem solução

O Sinpro-Rio manteve a pressão pela abertura de negociações sobre os pontos centrais da pauta.

A campanha seguiu com mobilizações e reuniões, enquanto a categoria permanecia em estado de greve.

O impasse continuava concentrado especialmente no reajuste salarial e no reconhecimento do trabalho realizado fora da sala de aula.

Categoria em estado de greve durante julho
15.08
Ago2026

Agosto – A categoria reduz a reivindicação e amplia a mobilização

Em agosto, a categoria voltou a se reunir para definir os próximos passos.

Em 15 de agosto, a assembleia aprovou por unanimidade a realização de uma greve de 24 horas no dia 2 de setembro.

Na mesma assembleia, as professoras e os professores reduziram a reivindicação de reajuste: dos 8% defendidos naquele momento para 6%.

Também foram reafirmados:

  • 3% de hora-atividade
  • equiparação salarial entre os segmentos da Educação Básica
  • 20 dias de licença-paternidade
  • mesa paritária para discutir o aprimoramento acadêmico
Assembleia de 15 de agosto que aprovou a greve de 24 horas
21.08
21Agosto

21 de agosto – Ato na Barra da Tijuca

Professoras e professores ocuparam a entrada do Centro de Convenções do Hotel Windsor Oceânico, onde acontecia um congresso patrocinado pelo Sinepe-Rio.

O ato denunciou a falta de avanços nas negociações e cobrou valorização, reajuste salarial e reconhecimento do trabalho realizado fora da sala de aula.

Ato na Barra da Tijuca em 21 de agosto
25.08
25Agosto

25 de agosto – Mediação judicial

Sinpro-Rio e Sinepe-Rio participaram de mediação na Justiça do Trabalho, com a participação do Ministério Público do Trabalho.

O Sinpro-Rio apresentou reivindicações relacionadas à hora-atividade, ao aprimoramento acadêmico e à equiparação salarial.

Não houve acordo.

28.08
28Agosto

28 de agosto – Última rodada antes da greve

Uma nova reunião da mesa paritária terminou sem acordo.

O Sinepe-Rio apresentou proposta de 3,77% de reajuste, retroativo a abril, além da possibilidade de discutir mais 0,23% em fevereiro.

O Sinpro-Rio apresentou contraproposta de 5,5% e voltou a cobrar avanços na hora-atividade.

A negociação terminou sem acordo.

29.08
29Agosto

29 de agosto – A categoria confirma a mobilização

Em nova assembleia, as professoras e os professores receberam os informes sobre a mediação judicial e a última reunião com o Sinepe-Rio.

A categoria aprovou a realização de um grande ato durante o dia de greve.

A greve estava mantida.

Agora, a categoria cruza os braços para que o trabalho de quem educa seja reconhecido, respeitado e valorizado.

Participe do ato

2 de setembro. É greve. É mobilização. É valorização do trabalho docente.

Ato público
Quarta-feira,
2 de setembro
A partir das 11h
Largo do Machado Catete, Rio de Janeiro
Campanha Salarial 2026 - Educação Básica