Ano L - nº 211 - Julho, Agosto e Setembro 2009

   
 

ENTREVISTA

UFRJ: UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

Com mais de 40 anos de existência, e com uma educação de qualidade, a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é considerada umas das referências em Educação Superior no Rio de Janeiro. Representando a entidade, a atual diretora, Drª Ana Maria Monteiro, concedeu um entrevista ao Jornal do Professor, em que conta como funciona, estrutura-se e é gerida politicamente esta instituição pública de qualidade.

JP: Como a senhora avalia os cursos oferecidos pela Educação da UFRJ?

ANA MARIA: Os cursos oferecidos pela Faculdade de Educação voltam-se para a formação inicial e continuada de professores. Atualmente, a Licenciatura em Pedagogia é oferecida nos turnos da tarde e noite. A partir de 2010, abriremos mais uma turma pela manhã. Com isso, estaremos oferecendo um total de 150 vagas por ano em três turnos. Esse curso, que teve seu currículo reformulado em 2006, forma professores para lecionar na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, na Educação de Jovens e Adultos, nas disciplinas pedagógicas do Ensino Médio e para atuar na Gestão de Processos Educacionais. A reformulação, que ampliou as possibilidades de atuação do pedagogo, tem recebido uma procura crescente, o que revela o acerto de sua opção. No entanto, já foram identificados alguns aspectos que precisam ser objetos de revisão, o que será realizado até 2011. Oferecemos também a formação pedagógica dos 26 cursos de Licenciatura da UFRJ. São mais de 150 turmas das disciplinas de Educação Brasileira, Didática, Fundamentos Sociológicos da Educação, Filosofia da Educação no Mundo Ocidental, Psicologia da Educação, Didática Específica e Prática de Ensino e estágio supervisionado. Essas turmas são oferecidas no campus da Praia Vermelha; no da Cidade Universitária; no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais; no Colégio de Aplicação e, desde 2009, também no de Macaé. Essas disciplinas integram currículos que foram reformulados recentemente e estão sendo avaliados para verificação de possíveis ajustes a serem realizados. Essa reforma tem por objetivo criar currículos que possibilitem aos estudantes, desde o início do curso, estudos e participação em estágios, pesquisas e atividades de extensão voltados efetivamente para a formação de professores e para o desenvolvimento de reflexões sobre a importância social e política de sua atuação. No que se refere à Pós-graduação Stricto sensu, oferecemos os cursos de Mestrado e Doutorado acadêmicos, em que são desenvolvidas as linhas de pesquisa “Currículo e linguagem” e “ História das instituições educacionais”. São 19 professores credenciados para atuar no Programa de Pós-graduação em Educação, docentes estes que orientam as pesquisas de dissertação e teses dos 88 alunos atualmente matriculados no PPGE. Oferecemos também cursos de Pósgraduação Lato sensu, como o de especialização Escola de Gestores, em convênio com o MEC, que atende 400 profissionais que atuam na gestão de escolas do sistema público de educação nos municípios e estado do Rio de Janeiro e o curso de Especialização Saberes e Práticas na Educação Básica em Ensino de Educação Física, História, Alfabetização e Letramento, e Políticas Públicas, voltado para a formação continuada de professores que atuam em escolas públicas do estado do Rio, preferencialmente aqueles que recebem e orientam nossos estudantes nas atividades de estágio curricular obrigatório da formação inicial dos cursos de Licenciatura.

JP: Como se organiza e é gerida politicamente a Educação da UFRJ?

ANA MARIA: A Faculdade de Educação, que completou 40 anos em 2008, é dirigida por um diretor eleito pela Congregação da Unidade, com base nos resultados de consulta realizada entre a comunidade de professores, estudantes e técnicosadministrativos. Para concorrer, são formadas chapas que apresentam os nomes dos candidatos a diretor e vice-diretor. O mandato é de quatro anos. A equipe de Direção conta com cinco coordenações: Pedagogia, Licenciatura, Pos-graduação, Extensão e de Estágio, responsáveis pela implementação das ações necessárias para o desenvolvimento dos cursos e atividades de extensão. A Faculdade é organizada em três Departamentos: Administração Educacional, Fundamentos da Educação e Didática, reunindo os professores a partir das áreas de conhecimento em que atuam. Os departamentos são dirigidos por chefes, docentes eleitos pelos pares. O órgão máximo de deliberação da Faculdade é a Congregação, presidida pelo diretor e constituída pelos chefes de departamento, professores titulares, representantes dos professores assistentes, dos professores adjuntos, representantes eleitos pelos alunos da Graduação, da Pós-graduação, ex-alunos e pelos técnico-administrativos. A Congregação se reúne uma vez por mês, em sessão ordinária e em extraordinárias, sempre que for necessário, a partir da convocação de direção ou de solicitação da maioria dos seus membros. As deliberações aprovadas na Congregação são implementadas a partir das ações definidas no âmbito do Conselho Departamental que reúne a Direção, os chefes de departamento e as coordenações, uma vez por mês.

JP: Qual é o perfil sócioeconômico dos alunos da Educação da UFRJ?

ANA MARIA: Os alunos que procuram a Faculdade de Educação são, em sua maioria, oriundos de setores médios da sociedade, com um crescente número de estudantes oriundos das camadas populares.

JP: O que a Educação da UFRJ pensa sobre políticas afirmativas, no caso, a de cotas?

ANA MARIA: A Faculdade de Educação tem-se posicionado favoravelmente nos colegiados superiores em relação a políticas de democratização do acesso à Universidade.

JP: O Sinpro-Rio está desenvolvendo, em 2009, uma intensa campanha de sensibilização da sociedade para o problema da saúde do professor. Como a senhora avalia esta questão no setor público?

ANA MARIA: Acho muito importante a realização dessa campanha, que chama a atenção da sociedade para a questão da saúde do professor. São muitos os casos de problemas nas cordas vocais, com professores que precisam ser afastados das atividades de docência. Juntam-se a estes, os problemas de estresse causados pelas más condições de trabalho, não apenas aquelas em áreas de risco, mas aquelas decorrentes do trabalho com muitas turmas, em dois ou três turnos e que geram uma situação inaceitável de sobrecarga a que os professores se submetem para obter um rendimento salarial minimamente condizente com a importância de sua atuação. É inaceitável que em pleno Século XXI, no Brasil, e, em especial, na cidade do Rio de Janeiro, ainda não tenhamos conseguido estabelecer uma carreira para os professores da educação básica, tanto na rede pública como na particular, com carga horária semanal de 40 horas de trabalho com tempo para planejamento, estudo, avaliação, e remuneração que permita a realização do trabalho docente que respeite as exigências da função e a saúde do trabalhador. Algumas escolas como os Colégios de Aplicação e o Pedro II, que oferecem condições de trabalho mais adequadas, através de planos de carreira que contemplam as necessidades básicas do trabalho docente, expressam nos resultados obtidos por seus alunos, a importância do oferecimento das boas condições de trabalho.

JP: O Sinpro-Rio iniciou, em 2006, intensa campanha pela Saúde Vocal do professor e, nesse sentido, temos como bandeira a implantação nos cursos de formação de professores da disciplina obrigatória Cuidados com a Voz, ministrada por fonoaudiólogas. O que a senhora pensa sobre isso?

ANA MARIA: Temos oferecido cursos de expressão oral com a parceria da Professora Dra. Ângela Garcia, do Instituto de Fonoaudiologia da UFRJ, e que têm sido muito bem sucedidos. Atualmente ,estamos buscando uma forma de incluir esta disciplina nos currículos.

JP: Uma das bandeiras do Sinpro-Rio é o Calendário Único para o município do Rio e, se possível, o Grande Rio, com o objetivo de garantir repouso e lazer aos professores. Esta bandeira pode ser abraçada pelas universidades públicas?

ANA MARIA: Acredito que pode contribuir para a melhoria das condições de repouso e lazer dos professores. Não vejo dificuldades no apoio das universidades a essa proposta.

Para ver a entrevista na íntegra acesse:

www.sinpro-rio.org.br/publicacoes/jornal/jp211/entrevista.html