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ENTREVISTA
UFRJ: UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
Com mais de 40 anos de existência, e com uma educação de qualidade,
a Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é
considerada umas das referências em Educação Superior no Rio de Janeiro.
Representando a entidade, a atual diretora, Drª Ana Maria Monteiro, concedeu
um entrevista ao Jornal do Professor, em que conta como funciona, estrutura-se
e é gerida politicamente esta instituição pública de qualidade.
JP: Como a senhora avalia os cursos
oferecidos pela Educação da UFRJ?
ANA MARIA: Os cursos oferecidos
pela Faculdade de Educação voltam-se
para a formação inicial e continuada de
professores. Atualmente, a Licenciatura
em Pedagogia é oferecida nos turnos da
tarde e noite. A partir de 2010, abriremos
mais uma turma pela manhã. Com
isso, estaremos oferecendo um total de
150 vagas por ano em três turnos.
Esse curso, que teve seu currículo
reformulado em 2006, forma professores
para lecionar na Educação Infantil, nos
anos iniciais do Ensino Fundamental,
na Educação de Jovens e Adultos, nas
disciplinas pedagógicas do Ensino Médio
e para atuar na Gestão de Processos Educacionais.
A reformulação, que ampliou
as possibilidades de atuação do pedagogo,
tem recebido uma procura crescente,
o que revela o acerto de sua opção. No
entanto, já foram identificados alguns
aspectos que precisam ser objetos de revisão,
o que será realizado até 2011.
Oferecemos também a formação
pedagógica dos 26 cursos de Licenciatura
da UFRJ. São mais de 150 turmas
das disciplinas de Educação Brasileira,
Didática, Fundamentos Sociológicos
da Educação, Filosofia da Educação
no Mundo Ocidental, Psicologia da
Educação, Didática Específica e Prática
de Ensino e estágio supervisionado.
Essas turmas são oferecidas no campus
da Praia Vermelha; no da Cidade Universitária;
no Instituto de Filosofia e Ciências
Sociais; no Colégio de Aplicação
e, desde 2009, também no de Macaé.
Essas disciplinas integram currículos
que foram reformulados recentemente e
estão sendo avaliados para verificação de
possíveis ajustes a serem realizados.
Essa reforma tem por objetivo criar
currículos que possibilitem aos estudantes,
desde o início do curso, estudos e participação
em estágios, pesquisas e atividades
de extensão voltados efetivamente para a
formação de professores e para o desenvolvimento
de reflexões sobre a importância
social e política de sua atuação.
No que se refere à Pós-graduação
Stricto sensu, oferecemos os cursos de
Mestrado e Doutorado acadêmicos, em
que são desenvolvidas as linhas de pesquisa
“Currículo e linguagem” e “ História
das instituições educacionais”. São 19
professores credenciados para atuar no
Programa de Pós-graduação em Educação,
docentes estes que orientam as pesquisas
de dissertação e teses dos 88 alunos
atualmente matriculados no PPGE.
Oferecemos também cursos de Pósgraduação
Lato sensu, como o de especialização
Escola de Gestores, em convênio
com o MEC, que atende 400 profissionais
que atuam na gestão de escolas do sistema
público de educação nos municípios e estado
do Rio de Janeiro e o curso de Especialização
Saberes e Práticas na Educação
Básica em Ensino de Educação Física,
História, Alfabetização e Letramento, e
Políticas Públicas, voltado para a formação
continuada de professores que atuam
em escolas públicas do estado do Rio,
preferencialmente aqueles que recebem e
orientam nossos estudantes nas atividades
de estágio curricular obrigatório da formação
inicial dos cursos de Licenciatura.
JP: Como se organiza e é gerida politicamente
a Educação da UFRJ?
ANA MARIA: A Faculdade de Educação,
que completou 40 anos em 2008, é dirigida
por um diretor eleito pela Congregação
da Unidade, com base nos resultados de
consulta realizada entre a comunidade
de professores, estudantes e técnicosadministrativos.
Para concorrer, são formadas
chapas que apresentam os nomes
dos candidatos a diretor e vice-diretor. O
mandato é de quatro anos. A equipe de
Direção conta com cinco coordenações:
Pedagogia, Licenciatura, Pos-graduação,
Extensão e de Estágio, responsáveis pela
implementação das ações necessárias para
o desenvolvimento dos cursos e atividades
de extensão. A Faculdade é organizada
em três Departamentos: Administração
Educacional, Fundamentos da Educação
e Didática, reunindo os professores a partir
das áreas de conhecimento em que atuam.
Os departamentos são dirigidos por chefes,
docentes eleitos pelos pares.
O órgão máximo de deliberação da Faculdade
é a Congregação, presidida pelo
diretor e constituída pelos chefes de departamento,
professores titulares, representantes
dos professores assistentes, dos professores
adjuntos, representantes eleitos pelos
alunos da Graduação, da Pós-graduação,
ex-alunos e pelos técnico-administrativos.
A Congregação se reúne uma vez por mês,
em sessão ordinária e em extraordinárias,
sempre que for necessário, a partir da convocação
de direção ou de solicitação da
maioria dos seus membros.
As deliberações aprovadas na Congregação
são implementadas a partir das
ações definidas no âmbito do Conselho
Departamental que reúne a Direção, os
chefes de departamento e as coordenações,
uma vez por mês.
JP: Qual é o perfil sócioeconômico dos
alunos da Educação da UFRJ?
ANA MARIA: Os alunos que procuram a
Faculdade de Educação são, em sua maioria,
oriundos de setores médios da sociedade,
com um crescente número de estudantes
oriundos das camadas populares.
JP: O que a Educação da UFRJ pensa
sobre políticas afirmativas, no caso, a
de cotas?
ANA MARIA: A Faculdade de Educação
tem-se posicionado favoravelmente
nos colegiados superiores em relação a
políticas de democratização do acesso à
Universidade.
JP: O Sinpro-Rio está desenvolvendo,
em 2009, uma intensa campanha de sensibilização
da sociedade para o problema
da saúde do professor. Como a senhora
avalia esta questão no setor público?
ANA MARIA: Acho muito importante a
realização dessa campanha, que chama
a atenção da sociedade para a questão da
saúde do professor. São muitos os casos
de problemas nas cordas vocais, com
professores que precisam ser afastados
das atividades de docência. Juntam-se a
estes, os problemas de estresse causados
pelas más condições de trabalho, não
apenas aquelas em áreas de risco, mas
aquelas decorrentes do trabalho com
muitas turmas, em dois ou três turnos
e que geram uma situação inaceitável
de sobrecarga a que os professores se
submetem para obter um rendimento
salarial minimamente condizente com a
importância de sua atuação.
É inaceitável que em pleno Século
XXI, no Brasil, e, em especial, na
cidade do Rio de Janeiro, ainda não
tenhamos conseguido estabelecer uma
carreira para os professores da educação
básica, tanto na rede pública como na
particular, com carga horária semanal
de 40 horas de trabalho com tempo para
planejamento, estudo, avaliação, e remuneração
que permita a realização do
trabalho docente que respeite as exigências
da função e a saúde do trabalhador.
Algumas escolas como os Colégios
de Aplicação e o Pedro II, que oferecem
condições de trabalho mais adequadas,
através de planos de carreira que contemplam
as necessidades básicas do trabalho
docente, expressam nos resultados obtidos
por seus alunos, a importância do oferecimento
das boas condições de trabalho.
JP: O Sinpro-Rio iniciou, em 2006, intensa
campanha pela Saúde Vocal do professor e,
nesse sentido, temos como bandeira a implantação
nos cursos de formação de professores
da disciplina obrigatória Cuidados
com a Voz, ministrada por fonoaudiólogas.
O que a senhora pensa sobre isso?
ANA MARIA: Temos oferecido cursos
de expressão oral com a parceria da Professora
Dra. Ângela Garcia, do Instituto
de Fonoaudiologia da UFRJ, e que têm
sido muito bem sucedidos. Atualmente
,estamos buscando uma forma de incluir
esta disciplina nos currículos.
JP: Uma das bandeiras do Sinpro-Rio é
o Calendário Único para o município do
Rio e, se possível, o Grande Rio, com o
objetivo de garantir repouso e lazer aos
professores. Esta bandeira pode ser abraçada
pelas universidades públicas?
ANA MARIA: Acredito que pode contribuir
para a melhoria das condições
de repouso e lazer dos professores. Não
vejo dificuldades no apoio das universidades
a essa proposta.
Para ver a entrevista na íntegra acesse:
www.sinpro-rio.org.br/publicacoes/jornal/jp211/entrevista.html
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