Cúpula dos Povos une movimentos de todo o mundo
25/06/2012
Na última semana, o Rio de Janeiro foi palco da Rio+20, a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável. Paralelamente, movimentos sociais de diversos países se organizaram na Cúpula dos Povos, questionando as propostas apresentadas pelos chefes de Estado e em busca de novas soluções reais. Durante o período, a cidade recebeu cerca de 110 mil pessoas, segundo a prefeitura, e diversas formas de manifestações e atividades.
Logo na segunda-feira, dia 18 de junho, a Marcha das Mulheres, organizada pela Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e por mulheres da Via Campesina, levou cerca de 5 mil pessoas do Aterro do Flamengo ao Largo da Carioca, dando início à jornada de manifestações da Cúpula dos Povos. Milhares de mulheres de diferentes organizações pediam o fim da mercantilização de seus corpos, de suas vidas e da natureza. Ao chegar à Carioca, onde foi realizado um ato público dos movimentos, onde denunciaram o modelo capitalista patriarcal, homofóbico, racista e destruidor da natureza, um grupo de mulheres foi ao BNDES denunciando o financiamento do banco à exploração sexual das mulheres. Somando-se à ação das mulheres, cerca de 1.500 índios de todo o Brasil entraram no banco, que estava fechado, exigindo o fim da construção de Belo Monte.
Na quarta-feira, dia 20, de acordo com os organizadores, cerca de 80 mil pessoas tomaram a Av. Rio Branco, no Centro do Rio. Foi o dia de mobilização global. Diversas bandeiras foram levantadas, faixas, batuques e muitas palavras de ordem. O maior inimigo de todos os movimentos é a economia verde, proposta de modelo “sustentável” discutido na Conferência da ONU. Os movimentos acreditam que esse novo modelo carrega uma falsa ideia de um capitalismo sustentável.
Inúmeras atividades autogestionadas aconteceram durante toda a semana no Aterro do Flamengo, onde foram instaladas várias tendas. Ocorreram 5 Plenárias de Convergências, nos dias 17 e 18, quando se tirou um documento final da Cúpula. Os temas das Plenárias foram os seguintes: Soberania Alimentar; Energia e indústrias extrativas; Defesa dos bens comuns contra a mercantilização; Direitos, por justiça social e ambiental; Trabalho: por outra economia e novos paradigmas.
A Rio+20 marcou os 20 anos da ECO 92, cujas propostas de soluções foram frustrantes e nada do esperado foi, de fato, concretizado. A esperança é que, dos documentos tirados na Rio+20, possamos superar a injustiça social e ambiental. Espera-se, também, que, independente da crise nos países europeus, diminuam-se a produção e o consumo em todos os países, pois, além de não termos mais para onde mandar todo o lixo, faz-se necessário reduzir as emissões de gases poluentes. A Cúpula dos Povos também não se encerrou no fim da Conferência; foi tirada uma agenda em comum entre os povos e espera-se que as discussões ultrapassem o documento final e se tornem-se um processo contínuo posto em prática por todos.
