Seminário de Inclusão Escolar: trabalhando a diversidade na escola
No dia 28, o seminário foi aberto com a palavra do presidente do Sinpro-Rio, Francilio Paes Leme, e da Diretora de Educação e Cultura, Glorya Ramos. O presidente saudou os presentes e afirmou que atividades como esta fazem parte de um novo Sinpro-Rio. Segundo Francilio, este novo sindicato é mais cidadão porque discute a educação e não se preocupa somente com as questões salariais. A professora Glorya também saudou os presentes e reafirmou os objetivos da Escola do Professor, que tem como um de seus princípios aproximar a categoria do sindicato, oferecendo uma atualização permanente.
Após a abertura, o Diretor de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), professor José Thadeu de Almeida, fez uma apresentação da Campanha “Educação não é Mercadoria”, que luta contra os processos de mercantilização da educação brasileira. A campanha, que foi idealizada pela Contee, já está na segunda fase e centra as ações, atividades e lutas na importante questão da desnacionalização da Educação Superior, em curso no Brasil.
Em seguida, o 1º Secretário do Sinpro-Rio e professor de História, Wanderley Quêdo, ministrou a palestra “Praticar a inclusão, criar espaços democráticos”. O objetivo da apresentação foi discutir as medidas imprescindíveis para adequar o espaço escolar para receber os alunos portadores de deficiências. Para entender o papel dos deficientes na sociedade, o professor fez um breve histórico sobre o tratamento dado a eles. “A falta de inclusão é histórica. Na Antigüidade, as crianças portadoras de deficiência eram simplesmente eliminadas, jogadas fora. Na Idade Média, essas pessoas eram tratadas como monstruosas e eram abandonadas pelas famílias. Como se o ser humano fosse assim tão dualista: ou é bom, ou é mau; ou é perfeito, ou é jogado fora”, ponderou Quêdo. “O professor tem que saber lidar com o aluno portador de necessidades especiais enquanto cidadão dentro e fora da sala de aula”, afirmou Wanderley. O professor concluiu que é preciso desenvolvermos, na sociedade, um olhar diferente para o outro. “Assim, quando entrarmos em sala de aula, não teremos tantas dificuldades, e sim mais respostas a dar a esses portadores de deficiências”, afirmou.
A última palestra do dia foi da coordenadora do Núcleo de Educação e Saúde no Trabalho (NEST) da Universidade Federal Fluminense (UFF), professora Hilda Alevato. A palestrante, que abordou as condições de trabalho do professor no contexto inclusivo, falou sobre as dificuldades que envolvem o trabalho dos profissionais de educação. Para a professora, o conceito de inclusão vai além de incluir alunos portadores de deficiências no ambiente de ensino regular. “A idéia de inclusão me passa a sensação de que é uma espécie de concessão que um determinado espaço faz para que o outro seja incluído nele”, afirmou Hilda. A professora lembrou que, dentro do contexto de trabalho, a função do professor vai muito além da sala de aula. “Nós vivemos uma pressão enorme para seguirmos determinado modelo. Nós temos nosso trabalho como professores, mas temos também uma série de fatores externos, como a enorme quantidade de informações que recebemos”, disse. “Mas como lidar com toda essa pressão no campo da educação?”, indagou ela. E respondeu, afirmando que todos somos responsáveis pelo nosso próprio agir, e reiterando que nenhuma instituição está vivendo tamanha cobrança por ajustes, com tanta força, quanto a escola, com o papel de possibilitar a criação de uma sociedade mais includente. “Uma escola que abrace uma causa como a da includência social é uma escola que se preocupa em dialogar com os pais a respeito de sua perspectiva de sociedade, ajudando-os a compreender que todos nos beneficiamos com a diversidade”, concluiu Hilda.
No dia 29 de março, aconteceu a segunda parte do seminário “Inclusão Escolar: trabalhando a diversidade na escola”. Neste dia, discutiu-se formas de inclusão escolar de crianças e jovens com dislexia, Síndrome de Down, TDAH e autismo.
O primeiro tema abordado pelas especialistas Renata Mousinho (fonoaudióloga e Doutora em Lingüística/UFRJ) e Marina Novaes (pedagoga, Mestre em Educação/UFRJ e Especialista em Neuropsicologia aplicada) foi a dislexia. Através de vídeos e slides, as duas especialistas descreveram a dislexia, que consiste em uma dificuldade de leitura que pode fazer com que os alunos com este problema fiquem defasados em relação aos demais. Renata mostrou como se processa a leitura dentro do cérebro de um disléxico em comparação com um não disléxico. “Como o disléxico lê quase sílaba por sílaba, o cérebro acaba não guardando todos os elementos e a compreensão fica dificultada”, afirmou“Como o disléxico lê quase sílaba por sílaba, o cérebro acaba não guardando todos os elementos e a compreensão fica dificultada”, afirmou. Marina frisou que o ideal é que se trabalhe outras formas de fixação de conteúdo, além da leitura como, por exemplo, o uso de música, ilustrações e versos. Ela também explicou que a alfabetização através da concepção fônica pode ajudar os disléxicos. “Em alguns países a concepção fônica do ensino da leitura é uma recomendação do governo (Portugal, França, Chile, Itália, Inglaterra e Estados Unidos) e, em outros, é usada oficialmente (Cuba, Israel, Canadá, Bélgica e Alemanha),” informou a professora do Pedro II.
Após a dislexia, foi a vez do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) entrar na pauta de discussões do seminário. Gabriela Dias (médica do setor de neuropsiquiatria infanto-juvenil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia/RJ e especialista em atendimento a pré-escolares) e Catarina da Costa Pereira (professora do Instituto Helena Antipoff) foram as palestrantes. Gabriela Dias contou um pouco da história do transtorno, que começou a ser diagnosticado no início do século passado, mas que ainda hoje não é aceito por muitos professores. “Ainda há quem acredite que o TDAH é uma criação da indústria farmacêutica para vender remédios”, afirmou. A médica também desmentiu alguns mitos em relação às causas da doença, como a ingestão de corante amarelo e cafeína. Catarina Pereira afirmou que um dos pontos mais delicados encontrado em portadores do TDAH está na diferença entre sua capacidade e o desempenho que tem. “Se o aluno com TDAH souber todo o conteúdo de uma prova, mesmo assim ele não tira dez”, afirmou. A professora também falou sobre como os colégios vêm tratando essa questão “Nos EUA, há escolas especiais; aqui, a recomendação é para que se façam as provas com bastante tempo. Provas com pouco tempo agravam o TDAH”.
Logo depois de um lanche servido na subsede de Campo Grande, começou o segundo bloco de discussões. E o tema da vez, o autismo, foi abordado por Gabriel Landsberg (médico do setor de neuropsiquiatria infanto-juvenil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa de Misericórdia/RJ) e Cláudia Ruas (psicóloga, especialista em educação infantil e Coordenadora da Escola Parque). Landsberg enumerou as teorias mais conhecidas acerca do tema, além das principais características de um autista: “Se você mostrar uma geladeira cheia de comida para um autista e perguntar o que é aquilo, ele irá dizer que é um tomate, ou um brócolis, ou qualquer parte do todo à qual ele vai se restringir”. Entre as teorias, o neuropsiquiatra ressaltou a teoria da disfunção executiva, segundo a qual o autista tem dificuldades de organizar suas metas devido a um distúrbio frontal. “É como se a mente de um autista fosse uma orquestra sem maestro; ela funciona, mas não há quem determine quem deva agir”, declarou. Cláudia afirmou que os alunos devem ser tratados sem adjetivos: “Criança é criança e ponto. São todas únicas. Dois alunos com autismo não serão iguais só porque têm autismo”, ressaltou. Para a psicóloga, é muito importante, no processo de aprendizado, o autista interagir com o colégio e com os colegas, pois essa interação será um estímulo para que ele se esforce.
Para fechar o segundo bloco, o tema abordado foi a Síndrome de Down. Quem tratou da síndrome foi Moacyr Daemon (fonoaudiólogo, professor/UFRJ e Especialista em Motricidade Orofacial) e Andréa Castanheira (pedagoga com habilitação em Educação Especial na área de deficiência mental/UERJ e professora de classe especial e classe regular na rede pública municipal do Rio de Janeiro). Moacyr ilustrou como age geneticamente a Síndrome de Down e, através de vídeos, mostrou como auxilia seus pacientes com a doença a melhorarem a fala. O professor costuma colocar seus pacientes em frente ao espelho, além de pedir para que eles sintam a fala, colocando a mão na boca e nas cordas vocais. Moacyr também ressaltou que a evolução no tratamento dos pacientes varia bastante. “Alguns não conseguem desenvolver sequer a fala; outros chegam à faculdade”, afirmou o fonoaudiólogo. Andrea Castanheira mostrou um breve histórico da inclusão de alunos com down na cidade do Rio de Janeiro, que começou em 73. A pedagoga mostrou vídeos de seus alunos em sala de aula e afirmou que a inclusão deve ser feita não pelas deficiências, mas sim por potencialidades.
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