Sinpro-Rio debate crise da universidade privada - Folha Dirigida - 16/03
As mudanças no perfil de gestão das universidades privadas e o impacto destas transformações nas condições de trabalho dos professores foram discutidos na 4ª edição do Fórum de Educação Superior do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região. O evento, que aconteceu na tarde da última terça-feira, dia 10, na sede do sindicato, reuniu professores e dirigentes sindicais de outras entidades ligadas à defesa dos interesses do magistério do setor privado.
No encontro, os representantes dos professores de universidades e faculdades privadas do Rio mostraram, mais uma vez, a preocupação com as estratégias de gestão instituições, em especial, as que têm ações no mercado financeiro ou que contrataram consultorias educacionais para otimizar o sistema de gestão. Para os sindicalistas, este novo perfil de administração das universidades tem levado a um processo de precarização das condições de trabalho dos docentes, em nome da redução de custos.
"O Sinpro-Rio tem enfrentado dificuldades muito grandes em relação às instituições privadas de ensino superior que tentam, com a unificação de suas propostas e procedimentos, implementar mudanças que levam à mercantilização do ensino, dentro de diretrizes internacionais que consideram a educação como mercadoria. E isto tem afetado diretamente as condições de trabalho dos professores", comentou Francílio Paes Leme, vice-presidente do Sinpro-Rio.
O sindicalista utilizou o exemplo da Educação a Distância dentro dos cursos de graduação tradicionais, o que é permitido pela lei em até 20% do currículo. A direção do Sinpro defende que as instituições de ensino superior não têm utilizado esta modalidade como estratégia pedagógica para aperfeiçoamento da qualidade do ensino. "O ensino a distância tem sido utilizado apenas como instrumento de redução de custos e ampliação dos lucros e, em muitos casos, em flagrante desrespeito à legislação educacional", salientou Francílio.
Negociação - A mudança no perfil de gestão de universidades e faculdades privadas tem trazido também dificuldades nas negociações salariais com representantes dos professores. Um dos desdobramentos é que, nas reuniões paritárias, os sindicalistas têm de negociar, em muitos casos, com executivos de mercado em vez de educadores.
A diretora do Sinpro-Rio, Magna Corrêa, salientou que as negociações tendem a ser cada vez mais complicadas, em função do interesse que grupos de investimento possuem na educação privada.
"A Educação é a 6ª área econômica do país e atrai cada vez mais fundos múltiplos de investimento. No país, há universidades que, inclusive, têm deixado de ser filantrópicas para tornarem-se instituições de capital aberto", comentou a sindicalista, para quem, neste modelo, a preocupação com a educação fica em segundo plano.
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