Crise nas particulares: Universidade Candido Mendes às portas da falência - Causa Operária Online - (11/03/09)
A tradicional instituição de ensino privado do Rio de Janeiro sofre uma das maiores crises de sua história o que demonstra uma
tendência geral às crises. Entre os vários problemas está o salário atrasado dos professores que, como resposta à crise, estão em greve a
quase um mês
Uma das universidades mais tradicionais do Rio de Janeiro, a universidade Candido Mendes, está passando por uma das maiores crises de
toda sua história, se não a maior crise da história da universidade fundada em 1904.
A qualidade de ensino vem caindo ano à ano, com um grande sucateamento das instalações da universidade e materiais usados nos diferentes cursos. Além deste fato, a universidade não paga os salários dos professores à cinco meses, e não recolhe o FGTS destes profissionais faz mais de dez anos. Por este motivo, os professores estão em greve desde o dia 16 de fevereiro exigindo o pagamento dos salários e de todos os passivos trabalhistas atrasados.
Além da universidade Candido Mendes, somente no Rio de Janeiro pelo menos outras três universidades particulares passam por crises semelhantes: a UniverCidade, a UniCarioca, e a universidade Gama Filho. Todas as três estão com os salários ou benefícios trabalhistas de professores atrasados.
A crise da Candido Mendes apresenta os mesmos traços das demais universidades em crise. A oferta de vagas é muito superior a demanda deixando as universidades com muitas vagas ociosas, um grande número de estudantes inadimplentes devido à situação econômica do País, fato agravado com a crise capitalista atual, e um endividamento cada vez maior da instituição com os bancos.
Abertura da contabilidade e estatização das universidades particulares
Diante da situação, as universidades estão jogando todo o peso da crise principalmente nas costas dos estudantes que além de arcar com um ensino cada vez pior, são obrigados a pagar mensalidades cada vez mais altas. Para se ter uma idéia, na Candido Mendes os estudantes de direito pagam uma mensalidade que varia de R$ 1,3 mil à R$ 2 mil. Outros setores atacados com a crise são os funcionários e professores que tem os salários atrasados e ficam sob a ameaça da perda do emprego.
Por isso, é preciso apoiar de forma irrestrita a greve dos professores da universidade Candido Mendes. Além disto, os estudantes devem através de seus próprios métodos de luta exigir a abertura da contabilidade da universidade para que se possa saber de fato sua situação financeira e, desta forma, calcular o verdadeiro preço dos cursos oferecidos.
A proposta de abertura da contabilidade das universidades está ligada diretamente à reivindicação de estatização destas instituições de ensino, acabando assim, com a expropriação que os capitalistas impõem aos estudantes e ao orçamento público, sendo este último sua principal fonte de financiamento através das isenções fiscais e programas que tiram o dinheiro público que deveria ir para a educação e o entregando aos donos de universidades.
A única solução para a crise de educação no País é a estatização das instituições privadas, ou seja, o fim do ensino pago, e a defesa da educação pública e gratuita para todos em todos os níveis.
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