Veja propostas das chapas que disputam eleições do Sinpro - Folha Dirigida - (10/07/08)

Os 18 mil filiados do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio) vão decidir, entre os dias 12 e 15 de agosto, quem vai comandar a entidade sindical pelos próximos três anos. A campanha eleitoral do sindicato já começou e segue a pleno vapor, mesmo com parte das escolas em recesso escolar.

De um lado, está o professor de História da Edem Wanderley Quêdo, que liderada a Chapa 1 - Sindicato Forte. Na composição desta chapa, Wanderley tem como companheiros Francílio Pinto Paes Leme, atual presidente do Sinpro-Rio, e Antônio Rodrigues, 1º vice-presidente do sindicato.

Do outro lado, está Lúcia Naegeli, professora de Geografia do Colégio Santo Inácio e do Colégio Pedro II, lidarando a Chapa 2 - Movimento Educação. A chapa se opõe à atual gestão e conta com o apoio de dois ex-presidentes do Sinpro-Rio, os professores Robespierre Martins Teixeira e Gilson Puppin. O Sindicato

Em seus 77 anos de atuação no setor educacional, o Sinpro-Rio representa os professores da rede privada do Rio de Janeiro, desde a educação infantil ao ensino superior. Atende também a cursos livres, cursos preparatórios de ensino complementar ou profissional, inclusive os não seriados, dos cursos de línguas. A base da entidade abrange os municípios do Rio de Janeiro, Paracambi, Itaguaí e Seropédica. A entidade possui uma sede, situada no Centro, e três subsedes: na Barra da Tijuca, em Campo Grande e em Madureira.

O sindicato é filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e à Federação Estadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Feteerj).

Sindicato Forte

Escolhido pela atual diretoria como o nome mais indicado para assumir a presidência do Sinpro-Rio, Wanderley Quêdo recebeu de braços abertos o desafio de liderar o sindicato por três anos. Professor de História da Edem, o candidato é o 1º Secretário do Sinpro-Rio e conta com o apoio do atual presidente, Francílio Pinto Paes Leme, e do 1º vice-presidente, Antônio Rodrigues.

Sua plataforma é baseada na luta pela defesa do emprego e, principalmente, das condições de trabalho dos professores na rede particular. Para tanto, a Chapa 1 - Sindicato Forte, pretende organizar a luta da categoria nos locais de trabalho.

"Nas reuniões de nossa chapa nos questionamos quem seria a pessoa que teria o perfil mais próximo de renovação, de refoma e de modernização do sindicato. E eu fui escolhido pelos meus colegas. Combatemos o desrespeito à convenção coletiva e à precarização das condições de trabalho dos docentes", explicou o líder da Chapa 1.

O grande diferencial de sua chapa, ressalta Wanderley Quêdo, é a defesa de um sindicato sem atrelamento a partidos políticos. "Defendemos um sindicato que não seja atrelado a partidos políticos, religiões ou patrões. Somos um sindicato que não está atrelado a partidos", observou Wanderley Quêdo.

Como realizações da atual gestão, o professor destaca um índice de nove mil filiações nesses últimos três anos e comemora a inauguração de mais uma subsede do sindicato, localizada em Madureira.

"Com a criação da subsede de Madureira cumprimos esse compromisso histórico com a região, onde temos muitas dificuldades com o patronato, que não cumpre integralmente a convenção de trabalho", observou o professor.

Movimento Educação

Professora de Geografia do Colégio Santo Inácio e do Colégio Pedro II, Lucia Naegeli lidera a Chapa 2 - Movimento Educação, que se opõe à atual gestão do sindicato. Uma das principais bandeiras da chapa é a renovação: não apenas dos membros da diretoria, mas pelo fato de ter uma mulher na disputa pela presidência.

"Esta é a segunda vez que uma mulher se candidata à presidência do Sinpro-Rio", explica Lucia Naegeli, informando que conta com apoio de dois antigos presidentes do sindicato que, segundo ela, ainda contam com representatividade na categoria. São os professores Robespirre Teixeira e Gilson Puppin. 

Além disso, explica a líder da Chapa 2, seu grupo traz novos professores, sindicalizados recentemente e vindos de áreas como Música, Teatro, Dança e Educação Física.

"Estamos trazendo pessoas absolutamente novas. Trabalhamos com professores de áreas como Dança, Educação Física, Acupuntura, Medicina Alternativa. Nas duas mil escolas que o sindicato representa, também temos academias, cursos de línguas e universidades. Precisamos pensar nesses segmentos", observou a professora de Geografia.

Nesse sentido, uma das principais plataformas da chapa de oposição é mobilizar a categoria em torno da luta política. "Queremos trazer de volta o professor para o sindicato. As assembléias da educação básica há vários anos são resolvidas em duas assembléias: uma para dizer o indíce pedido e outra para apresentar o resultado. Falta luta. Há um esvaziamento ideológico", completou Lúcia Naegeli, destacando a necessidade de maior reflexão sobre a atual situação do professorado.