Respeito e qualidade - Monitor Mercantil (05/06/09)
O Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio) cruzou os dados sobre o desempenho das universidades do Rio no Provão com o descumprimento das obrigações trabalhistas. O resultado é emblemático: instituições que não respeitam os direitos de seus professores levaram "bomba" na avaliação do Ministério da Educação. O sindicato listou 14 universidade - Santa Úrsula, Gama Filho, Souza Marques, Castelo Branco, Veiga de Almeida, UniverCidade, Bennett, Simonsen, Celso Lisboa, Candido Mendes, UniCarioca, Suam, Silva e Souza e São Judas Tadeu - que, por conta própria, resolveram flexibilizar a CLT.
Na Gama Filho, por exemplo, que, segundo o sindicato, não deposita FGTS, atrasa salários, 13º e um terço sobre as férias, de 17 cursos avaliados pelo MEC, dez tiveram conceito C (regular); três, D (ruim) e um, E (péssimo). Na Castelo Branco, acusada pela entidade, entre outras irregularidades, de não pagar verbas rescisórias, em nove cursos avaliados, cinco tiveram C; um, D e três, E. Nas demais, a situação não é muito diferente. Moral da história: precarização de relações trabalhistas é ante-sala de mau ensino.
Maquiagem
O Sinpro-Rio destaca ainda que, não fossem as distorções da avaliação produzida pelo Provão, a classificação das instituições seria ainda pior. O sindicato lembra que os conceitos A e B são atribuídos a resultados superiores à média dos alunos avaliados num determinado curso. O C vale para quem fica em torno da média e D e E para os abaixo da média. Como a média geral, é muito baixa, o Sinpro-Rio conclui que os cursos que receberam notas C, D e E são de baixíssima qualidade. E alerta que nenhum curso seria conceito A, se isso implicasse 80% de acerto das questões, em vez de se classificar a instituição em relação à média geral. Se o conceito B correspondesse a índice de acertos de 60% a 80% de acertos, apenas 1,5% dos cursos teria essa qualificação.
Moral da história: se não fosse a maquiagem usada pelo Provão, o raio X do ensino universitário seria uma calamidade. Ou nas palavras de observadores mais atentos, espelharia mais fielmente a realidade.
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