Wanderley Quedo destaca os desafios que terá pela frente - Folha Dirigida - (30/09/08)

Qual será o principal desafio dessa nova gestão que assume o sindicato?

Temos vários desafios. O primeiro deles é levar à frente a campanha pelas condições de trabalho e saúde do professor. E aí envolve inclusive a questão do calendário único, do aprofundamento da campanha da voz, o médico do trabalho dentro do sindicato dos professores. E já temos paritárias aprovadas dentro da convenção coletiva da Educação Básica para agora mesmo em outubro iniciarmos a negociação sobre condições de trabalho e saúde do professor e Educação Infantil.

Como o sr. avalia o movimento sindical no Brasil, atualmente?

O movimento sindical no Brasil hoje enfrenta muitos desafios. Está sofrendo uma influência grande do que vem acontecendo na Europa e no mundo, que é a partidarização das centrais. Isso é uma coisa preocupante por um lado, e por outro uma conseqüência, uma situação inevitável. Hoje existem praticamente oito centrais no Brasil, cada uma delas vinculada a um ou dois partidos. Isso traz uma diversidade, mas também uma separação, em muitos momentos, da luta dos trabalhadores. Mas nos momentos em que são nodais para os trabalhadores, como a questão da redução da jornada de trabalho, as centrais mais progressistas, ligadas aos partidos mais progressistas, tem caminhado na unidade. Mas de qualquer forma nós acompanhamos de perto essa situação, afinal estamos dentro de uma central, que é a Central Única dos Trabalhadores (CUT), desde 1991, levados por plebiscito da categoria.

Na sua avaliação, porque a onda de desenvolvimento do país ainda não se reflete nas estatísticas educacionais?

A Educação é uma das questões que o governo federal vai ter que dar atenção maior, em questões até de recursos financeiros. Ainda é muito pouco o recurso financeiro destinado à Educação. Então, isso é uma luta, uma crítica nossa ao governo federal, e aos governos estaduais e municipais por conseqüência, dessa atenção a Educação. As condições que os professores trabalham na rede pública e privada devem ser também levadas a sério. Em muitas situações, os professores nas redes pública e privada passam por sofrimento psíquico, agressões físicas, baixos salários. Então, isso afasta muitos profissionais, e torna a escola muito vulnerável em questão de segurança e de qualidade. Daí você ter resultados ruins dos alunos. Como pode funcionar uma escola somente com os alunos, sem a qualificação do profissional especializado para tratar dessa questão?

De que forma o Sinpro-Rio pode ajudar na construção de um projeto de educação de qualidade para o país, em geral, e para educação do Rio de Janeiro, em particular?

O nosso sindicato, particularmente, está atento e participa de todos os fóruns possíveis, aonde nós temos condições de intervir com a nossa voz e com as nossas ações para um momento de crítica, de construção, momento de propostas. Nós participamos do Conselho Municipal, do Conselho Estadual de Educação, nós levamos a luta, por exemplo agora do calendário único, levamos a questão da flexibilização da letividade dos 200 dias, porque isso também sobrecarrega os professores. Então, nós temos participado de projetos junto com instituições do mundo acadêmico, universidades como a UFRJ, UniRio, PUC, onde nós temos parceiros na questão da atualização do professor, levando jornadas e profissionais capacitados nos lugares menos favorecidos e mais longínquos. Fazemos esses seminários gratuitamente para os professores sindicalizados. Nós queremos não só qualificar esse professores, mas através dessa qualificação criar uma massa crítica, criar uma reflexão crítica sobre essa situação.