Evento promovido pelo Sinpro-Rio reuniu diversos educadores - Folha Dirigida (01/04/08)
"Incluir é uma necessidade de todos. É preciso pensar em relação a nós
mesmos. O primeiro passo para que a gente tenha uma nova forma de
trabalhar é entender que vivemos em uma sociedade que precisa ser de
todos. E isso significa incluir-se também". A observação foi feita pela
professora Hilda Alevato, coordenadora do Núcleo de Educação e Saúde no
Trabalho (Nest), no primeiro dia do seminário "Inclusão escolar-
trabalhando a diversidade na escola", promovido pelo Sindicato dos
Professores do Rio (Sinpro-Rio), em Campo Grande.
A palestra da professores Hilda Alevato, abordou as condições de
trabalho do professor no contexto inclusivo. Professora há 35 anos, ela
falou sobre as dificuldades que envolvem o trabalho dos profissionais de
educação.
Segundo ela, o conceito de inclusão vai além de incluir alunos
portadores de deficiências no ambiente de ensino regular. "A idéia de
inclusão me passa a sensação de que é uma espécie de concessão que um
determinado espaço faz para que o outro seja incluído nele".
Hilda Alevato lembrou que dentro do contexto de trabalho, a função do
professor vai muito além da sala de aula. "Nós vivemos uma pressão
enorme para seguirmos determinado modelo. Nós temos nosso trabalho como
professores, mas temos, também, uma série de fatores externos, como a
enorme quantidade de informações que recebemos", disse.
Fazendo questão de destacar uma característica pontual da sociedade,
Hilda Alevato garante que a diferença é comum a todo ser humano. "Uma
das grandes dificuldades de todos nós não é só lidar com alunos
portadores de deficiências, mas é lidar com o conjunto de alunos que
possuem características diferentes, que têm formas diferentes de
aprender, numa sociedade que exige de nós cuidarmos de tudo ao mesmo
tempo e que exige de nossos alunos viver em uma realidade que os marca
assim como nos marca", completou.
Durante toda a palestra, a professora fez questão de frisar que a
construção de uma nova forma de ver o trabalho depende dos próprios
profissionais. "Precisamos construir juntos uma sociedade que aceite a
particularidade de cada um. Para isso, é preciso avançar em nossa
discussão", disse.
Hilda Alevato afirmou, ainda, que é fundamental estar atento aos fatores
exteriores, como a violência, para que eles não impeçam a inclusão
social, racial e educacional. E reforçou. "Incluir é um desafio muito
mais amplo do que o desafio da inclusão de alguém que tenha determinadas
características já demarcadas e estigmatizadas pela sociedade, como os
portadores de deficiência".
Para aceitar e principalmente respeitar as diferenças, se faz necessário
entender o que envolve as relações humanas, como explica a coordenadora
do Núcleo de Educação e Saúde no Trabalho(Nest). "Com a rapidez do
dia-a-dia, acabamos não dedicando tempo para nossa vida pessoal, o que pode
ser prejudicial a nossa saúde e ao próprio rendimento no trabalho.
Precisamos considerar que passamos grande parte do nosso tempo com
pessoas que não escolhemos conviver. Então, construir laços passa também
pela capacidade que cada um de nós precisa desenvolver para aceitar o
outro", destacou.
Mas como lidar com toda esta pressão no campo da educação?", indagou
ela. Em seguida respondeu a questão, alertando que precisamos perceber
que somos responsáveis pelo nosso próprio agir. E concluiu dizendo que
nenhuma instituição está vivendo tamanha cobrança por ajustes, com tanta
força, quanto a escola, com o papel de possibilitar a criação de uma
sociedade mais includente.
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