Ensino superior: falta de negociação adia assembléia - Folha Dirigida (01/04/08)

Apesar de ainda não terem recebido uma contraproposta, a direção do Sinpro-Rio já acredita que o acordo para os professores universitários será mais difícil como tem ocorrido nos últimos anos. Tanto que a próxima assembléia da categoria, que também ocorreria no próximo dia 12, após a da Educação Básica, não deverá ser realizada neste dia pois não se espera uma resposta oficial do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro (Semerj) até esta data.

Na única reunião paritária que ocorreu este ano, representantes dos donos de universidades se mostraram contrariados com algumas reivindicações. Foram feitas críticas a pelo menos três dos cinco itens da pauta dos professores para o ensino superior.

Os dirigentes universitários seriam contrários, por exemplo, à concessão de ganho real. A alegação seria de que a atual crise no ensino superior, decorrente da inadimplência, não permitiria a ter ganhos que respaldassem a recuperação do poder de compra dos profissionais de educação.

Segundo o professor Antonio Rodrigues, um dos diretores do Sinpro-Rio, os donos de faculdades e universidades também teriam, informalmente, se mostrado contrários à manutenção das cláusulas do último acordo. Eles teriam interesse em rever a cláusula que estabelece adicional por tempo de serviço (anuênio) de 1%. "A convenção é a garantia dos professores, nosso instrumento de luta. Eles estão loucos para mexer em anuênio, bolsa de professores, pagamento de salários até o fim do ano em caso de demissão no início do semestre, entre outros pontos", disse Antonio Rodrigues.

Segundo o sindicalista, há também resistência para aceitar que a função de tutor, que complementa o trabalho dos docente na Educação a Distância, seja executada só por professores. Segundo ele, donos de instituições de ensino superior interpretam que não há consenso em relação à Educação a Distância e, por isto, não querem incluir cláusulas nesta área. A FOLHA DIRIGIDA procurou a direção do Semerj, que não se pronunciou sobre as informações apresentadas pelo diretor do Sinpro-Rio.